Ana Paula Padrão
Sentada na primeira fila do desfile de Alexandre Herchcovitch, de mantô marfim, a apresentadora do Jornal da Globo falou rapidamente à ELLE, antes de ir para a TV.

Você é sempre vista na primeira fila dos desfiles do Alexandre Herchcovitch. Ele é um de seus estilistas preferidos?
Na verdade, foi uma coincidência. Na edição passada eu pude assistir ao desfile dele, assim como desta vez, em função do horário. Eu procuro assistir ao primeiro desfile do dia porque entro às 15h na Globo. Mas, sem dúvida, acho que ele é um dos melhores estilistas brasileiros.

Quem é a verdadeira Ana Paula Padrão: a clássica do Jornal da Globo ou a mulher de vanguarda que aprecia a moda de Herchcovitch?
Sou muito mais clássica. Porém, o Alexandre é um dos únicos que consegue me fazer vestir alguma coisa mais moderna. Deste desfile mesmo, eu usaria várias peças.

O que você veste hoje?
Não sei. Quem escolhe é o departamento do camarim da Globo.

De que peças você mais gostou?
Achei a coleção inteira muito chique. Mas adorei as cores.
Fonte: Elle

24/01/2001

A cidade que nos marca
"A pracinha, na Vila Nova Conceição, chama-se Pereira Coutinho. Fui conhecê-la numa manhã calma de meio de semana, por sugestão de um amigo. Eu estava acabando de chegar a São Paulo e minha vida era uma correria só. Não imaginava que encontraria um lugar assim na cidade. Apaixonei-me na mesma hora pela pracinha, que é o lugar onde vivo e me sinto feliz”.
Ana Paula Padrão
Brasiliense, 35 anos, jornalista

31/01/2001

Alexandre Herchcovitch em entrevista a revista Veja
Veja – Quem se veste com personalidade?
Herchcovitch – Estou in love com a Ana Paula Padrão. Outro dia, liguei a TV e ela estava com aquela cara branca, o cabelo preto e uma roupa toda preta fechada até aqui – linda, parecia uma Morticia! Apresentadoras de TV estão sempre de blazer vermelho decotado. Eu já estava cheio dessa imagem.

ANA PAULA PADRÃO
Ana Paula Padrão, jornalista da TV Globo, tem em seu currículo uma série de reportagens sobre o Afeganistão, matérias sobre um acidente nuclear no Japão e sobre a guerra do Kosovo. Não é à toa que, aos 35 anos, é ela quem comanda o Jornal da Globo desde agosto do ano passado, cumprindo a tarefa de suceder Lilian Witte Fibe. Ana Paula conferiu o desfile masculino de Alexandre Herchcovitch (que se confessou fã de seu estilo) no último dia do São Paulo Fashion Week.

ELLE - Como apresentadora de TV, você tem algum tipo de preocupação com a sua imagem, o seu visual?
Ana Paula - Eu nem penso nisso, não me preocupo. O pessoal da Globo me fornece a roupa e eles já sabem que eu não gosto de nada justo, de decotes. Uso camisa, blazer, a maquiagem é simples, bem sem cor, o cabelo sempre assim. O meu jeito de vestir é bem parecido com o do vídeo.

ELLE - Você acompanha as novidades do mundo da moda?
Ana Paula - Pouco. Não pude vir a nenhum outro desfile pois é bem na hora em que começo a fechar o jornal. Foi o único dia em que consegui um tempinho a mais... Eu leio revistas e me informo como qualquer um, mas não sou expert.

ELLE - O que você acha de um evento como este?
Ana Paula - Incrível. Economicamente é muito importante. Projeta o país na indústria têxtil, abre para as importações e exportações, aumenta a demanda por tecidos, roupas. Como a nossa moda é muito criativa, um evento como esse nos torna ainda mais competitivos.

Ana sobre o Alexandre Herchcovitch
"O corte está cada vez melhor. Achei muito legal."
Ana Paula Padrão, jornalista

Os desejos de mudar o mundo
SEGURANÇA
"Em Kosovo, eram albaneses contra sérvios. No Afeganistão, americanos atacando muçulmanos. Palestinos e israelenses morrem todo dia. Desejo comunhão entre as raças, tolerância entre as crenças e as nações."
Ana Paula Padrão, 36, jornalista

Ana Paula Padrão aposta no estilo clássico
A jornalista Ana Paula Padrão reservou um espaço em sua concorrida agenda para conferir o desfile masculino de Alexandre Herchcovitch. "Não pude vir antes por causa dos horários", explica.
Ana Paula garante que não acompanha muito a moda, e que veio ao SP Fashion Week mais por seu trabalho: "O evento tem uma grande importância econômica, e é por isso que vim". A jornalista é fiel ao estilo clássico: "não gosto de ousar, sempre aposto no trio calça, camisa e blazer".

Algumas notícias da internet

Ana Paula Padrão no Carlota
Por Antonio Salomão, colunista do Babado A apresentadora-magérrima cabelo preto cor da graúna do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão, almoçou no delicioso restaurante Carlota, em São Paulo. How chic! Foi disfarçada dela própria em si! Não tirou aquele seu famoso óculos escuros-escuríssimo para nada! Como se ninguém soubesse quem ela era!

Surpresa de Ana Paula Padrão
Depois de tantos e tantos meses de lapelas, uma deslumbrante surpresa. Ana Paula Padrão apareceu, em seu Jornal da Globo, com um decote redondo de um vestido claro, num saboroso tom de aveia. Frank Sinatra imediatamente entoaria: "It is a lovely way to end an evening". O bom de noticiário, aprende-se com Ana Paula Padrão, é que pode ser visto sem ser ouvido.

Ana Paula Padrão no Iguatemi
Pelo jeito o Papai Noel da jornalista-morena-cabelo-chanel do Jornal da Globo Ana Paula Padrão foi gordo! Ela estava agora à tarde lotada de sacolas andando apressada pelos corredores do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Deve ter dado uma ressaca do Afeganistão e resolveu dar seu grito de liberdade: Tiffanys! Será que a fofa contratou um body-guard de carregador?

Ana Paula Padrão entra de férias
A repórter e apresentadora do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão começa a partir de amanhã a curtir suas merecidas férias depois de passar alguns dias cobrindo os bombardeios em Kabul.

FRASES
"Você cria uma defesa contra o medo e a emoção; sem isso, é impossível trabalhar"
ANA PAULA PADRÃO (jornalista)

Adrenalina motiva jornalista na guerra
Para profissionais da TV, estar presente em acontecimentos históricos justifica o risco de vida
SANGUE FRIO e muita ousadia compõem a receita para repórteres e cinegrafistas de TV que se aventuram por um país em conflito -o que pode voltar a ocorrer caso os EUA decidam atacar o Afeganistão, desencadeando uma guerra. Para quem já trabalhou num campo de batalha, a adrenalina e a emoção de estar "presenciando a história" parecem compensar os riscos.
Imagens indesejadas -pelo menos para as partes em guerra- costumam ser o elemento que acentua o perigo para as equipes de TV. "No Afeganistão, andávamos com as fitas gravadas amarradas na cintura, com medo de perdê-las", conta Ana Paula Padrão, da Globo, que também esteve em Kosovo.

Ana em entrevista a revista Cláudia
A bela da noite
Bailarina que virou repórter, Ana Paula Padrão já viu a guerra de perto e teve que fugir de muçulmanos radicais. À frente do Jornal da Globo, ela vence o desafio de suceder Lilian Witte Fibe
No começo da adolescência, ela adorava as peripécias de Mary Tyler Moore, a jornalista atrapalhada da série de TV dos anos 70. Mas Ana Paula Padrão está mais para Lois Lane, a repórter intrépida que sempre consegue notícias de primeira página para o jornal Planeta Diário: as duas têm o mesmo talento para o furo (jargão jornalístico para a matéria dada em primeira mão), os mesmos cabelos escuros, o mesmo corpo perfeito. Ainda à maneira de Lois, coloca o trabalho à frente da vida pessoal. A diferença é que, como namorada do Super-homem, Lois Lane sempre foi coadjuvante. Aos 35 anos, Ana Paula Padrão é personagem principal. Começou a carreira como repórter em Brasília, entrevistou políticos famosos, foi correspondente internacional em Londres e Nova York por quase três anos, esteve em Kosovo durante a guerra, cobriu um acidente nuclear no Japão, realizou reportagens no Afeganistão. Em julho do ano passado, voltou ao Brasil para assumir um dos postos mais prestigiosos do telejornalismo, o de apresentadora do Jornal da Globo. E com o desafio extra de suceder Lilian Witte Fibe, que até pouco tempo atrás ditava a espinha dorsal do programa.

Profissão perigo
Ana Paula não se intimidou diante do convite para assumir a bancada que fora de Lilian. Fez apenas um pedido: antes queria preparar uma série de reportagens sobre o Afeganistão. "Estava trabalhando nisso havia um ano. Estudava mapas, roteiros." Conseguiu o o.k. e partiu para a viagem que todo repórter com sede de aventura sonha. Acompanhada de um cinegrafista, uma produtora e um guia paquistanês, Ana Paula entrou no país muçulmano, que desde 1996 vive sob o domínio taliban, uma milícia religiosa radical que transformou as mulheres em prisioneiras nas próprias casas. Para obter o visto de entrada, o grupo teve que se comprometer a não filmar nem conversar com nenhum afegão e a andar sempre escoltado por um representante do governo. É claro que as restrições foram burladas. Uma vez fingiu estar doente, ficou no hotel e saiu mais tarde, livre do espião do governo. Com uma microcâmera no botão da blusa, conseguiu gravar o depoimento de várias afegãs. Para proteger os vídeos, a equipe dormia com as fitas debaixo do colchão. Durante o dia, elas eram amarradas à cintura, sob as túnicas. Tudo parecia correr bem, até o representante taliban desconfiar que o grupo havia produzido material clandestino e ordenar que exibissem o que tinham gravado. "Quase chorei", relembra. Na manhã seguinte, aconselhada pelo guia, Ana Paula entregou duas fitas. À tarde, o grupo partiu de carro de Cabul, a capital, para o sul do país. "Nós simplesmente fugimos. Passamos duas noites no deserto até alcançarmos a fronteira." De volta a Nova York, Ana Paula teve apenas quinze dias para editar as matérias que seriam apresentadas no Jornal Nacional, organizar sua mudança e retornar ao Brasil.

Espírito prático
Chegando a São Paulo, cidade onde nunca havia morado, Ana Paula levou menos de uma semana para alugar o apartamento em que está vivendo. Só pensava no trabalho e não desperdiçou seu tempo com outras questões."Encontrei um jornal sem personalidade e com vários problemas internos. A Lilian já não tinha motivação no período final."
O primeiro passo foi organizar workshops para explicar à equipe que as matérias deveriam ter conteúdo mais denso e visual mais interessante."Vamos fazendo acertos no dia-a-dia. Mas, para estar do jeito que quero, ainda leva tempo." Apesar do empenho, o Ibope não registrou alterações significativas. Durante todo o ano passado, manteve a média de 15 pontos e continua sendo a maior audiência entre os jornais da emissora depois do Jornal Nacional. "Aumentar a audiência não é minha principal meta", rebate.
Suceder Lilian Witte Fibe nunca foi motivo de receio. "Temos estilos diferentes. Não gasto minha energia pensando nos outros." O mesmo discurso é usado para se defender das fofocas. "Sou competitiva e trabalho muito. Não presto atenção no que acontece em volta. Se as pessoas falam de mim? Não sei, até imagino que deva rolar." Esse desinteresse calculado pela opinião alheia continua valendo para comentar as relações do jornalista com as fontes. Como repórter de economia e política por doze anos em Brasília, Ana Paula conviveu com senadores, ministros e presidentes da República e até hoje tem ótimo trânsito entre muitos deles. "Qualquer entrevista é um jogo de sedução. Mas sou profissional. Se um político pensar outra coisa, nunca terá coragem de me dizer”.

Terceira separação
Repórter tarimbada, Ana Paula continua usando suas fontes no dia-a-dia do Jornal da Globo. Ela acorda por volta das 10 horas, toma um café da manhã frugalíssimo (mamão e água-de-coco), lê os jornais e então telefona para pessoas que possam fornecer mais informações ("amigos, gente do mercado financeiro, ministros"). Almoça e vai para a redação por volta das 3 da tarde. Coordena o trabalho das sucursais, participa de reuniões, faz novos telefonemas. A partir das 8 da noite, já está pronta para entrar no ar. Quando o jornal começa, se concentra e vai em frente. "Não dá tempo de ter frio na barriga", diz. De volta para casa, assiste ao final do Programa do Jô e come um "queijinho" antes de ir para a cama. Por aí se vê que Ana Paula não é magra por acaso. É a perfeita representante do tipo mignon: baixinha e com proporções exatas. Até os 19 anos, sua vida era o balé. Participou de vários grupos profissionais e só parou ao entrar na faculdade. Do curso de Jornalismo na Universidade de Brasília para a TV, o pulo foi pequeno: apenas um ano após a formatura, em 1985, já estava na Rede Globo. Lá conheceu Marcelo Netto, na época diretor de jornalismo, quinze anos mais velho que ela. Eles casaram-se em 1989, separaram-se dois anos depois, voltaram a se unir em 1993, romperam em 1997. No ano passado, tentaram nova reaproximação, ela em São Paulo, ele em Brasília. Mas a união a distância não deu certo e Ana Paula decidiu passar o Natal sozinha em Nova York.
A terceira separação pode levar ao quarto casamento? "Todo relacionamento passa por crises. Para superá-las é preciso haver respeito e admiração. Isso ainda existe entre nós", tenta explicar. A essa altura da entrevista, faz um apelo: "Minha carreira é meu maior patrimônio. Não quero acabar marcada como a jornalista que vive se casando com o mesmo homem". Ela não corre esse risco. Quem é dona de um currículo como o de Ana Paula Padrão não tem com o que se preocupar.


Índia, 1996: um dos primeiros trabalhos como correspondente.


Kosovo, 1999: em meio aos escombros um soldado sérvio mostra um explosivo.


Afeganistão, 2000: a cobertura mais marcante de toda a carreira.

21/03/2001

O que estou lendo?

EM QUE CRÊEM OS QUE NÃO CRÊEM?
Umberto Eco e Carlo Maria Martini (Record)
É uma compilação de cartas trocadas entre o escritor Umberto Eco e o cardeal de Roma Carlo Maria Martini sobre temas atuais, que afligem todas as pessoas, como ética, religião e liberdade de escolha. O interessante são os pontos de vista, algumas vezes até parecidos, de um laico e de um religioso."

30/09/2001

FRASES
"Você cria uma defesa contra o medo e a emoção; sem isso, é impossível trabalhar"
ANA PAULA PADRÃO (jornalista)

17/10/2001

Ana Paula: depois do Afeganistão, o desafio é guiar na cidade
Em junho de 2000, a brasiliense Ana Paula Padrão arriscou-se na terra do Talibã, com um gravador debaixo da burqa. Logo depois, aterrissou em São Paulo para apresentar o Jornal da Globo. Desde os atentados terroristas, anda requisitadíssima na emissora.

Veja São Paulo – Sua rotina foi muito alterada?
Ana Paula – Trabalho catorze horas por dia, escrevo artigos e falo em tudo quanto é programa.

Veja São Paulo – Ser correspondente de guerra é um sonho?
Ana Paula – Já foi. Agora me sinto próxima dos conflitos acompanhando tudo daqui.

Veja São Paulo – Você teria medo de voltar ao Afeganistão?
Ana Paula – Tenho ânsia por notícia. Medo eu sinto é do trânsito de São Paulo. Só agora comprei um carro. O desafio é me perder e me encontrar por aí.


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