

A Ana não apresentará o Jornal da Globo nas próximas semanas porque estará na África.
04/11/2002
PIMENTA DO SALOMÃO: ANA PAULA PADRÃO NA ÁFRICA
A jornalista-sexy Ana Paula Padrão está afivelando as malas e parte com sua editora-executiva Guta para uma viagem rumo ao continente africano. Ana já está providenciando seus modelinhos safaris com acessórios de oncinha para posar para a Caras! Como a Ana não sai de casa sem que esteja impecável seu cabelo estilo embaixatriz, será que ela vai levar caixas de laquê blindado para não precisar usar os serviços locais e assim evitar que as cabeleireiras Zulus entrem em pé de guerra com ela? Tudo pelo social! Luxo!!!
11/11/2002
Jornalismo e Conflito Armado: tema do novo curso
O CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) e a OBORÉ Projetos Especiais promovem a partir deste sábado, dia 09 de novembro, a segunda edição do Curso de Informação Sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado, como mais um módulo do Projeto Repórter do Futuro.
Entre os palestrantes/entrevistados deste módulo, estarão os jornalistas Ernesto Paglia (TV Globo) e Breno Altman (Revista Reportagem), além dos fotógrafos Vinícius Souza e Maria Eugênia Sá, que registraram a reconstrução de Angola, depois de mais de 20 anos de guerra civil. O representante do CICV no Brasil, Jean-François Olivier fará a abertura do curso, seguido pelo major Erich Meier, da Polícia Militar do Distrito Federal, que compôs as Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) na Bósnia e participa da capacitação das tropas brasilieras enviadas ao Timor Leste. Ana Paula Padrão e Guta Nascimento (TV Globo) estão realizando reportagem no Congo, Quênia e Sudão, com suporte do CICV local e podem estar presentes na data da entrega dos diplomas e reembolsas, 07 de dezembro.
À flor da pele
Quem estava habituado ao poder de Ana Paula Padrão nas noites do Jornal da Globo levou um susto: quem era aquela noiva chorona e feliz? A jornalista, que se casou com o empresário Walter Brasil Mundell, reuniu amigos e familiares no apartamento do casal em São Paulo. A cerimônia começou às 18h30, com uma surpresa: a pedido do noivo, os sinos da Igreja São Dimas repicaram excepcionalmente nessa hora, seguidos por uma queima de fogos. A noiva tremia e chorava tanto que mal conseguia assinar o livro para oficializar a união.
Fonte: Revista Época
Razão e Sensibilidade
À primeira vista, parece que Ana Paula Padrão mede palavra a palavra o que diz. Mas não se trata de palavras contidas, reticências ou concisão. Na verdade, ela fala de modo editado, como se houvesse um roteiro bem escrito a seguir na hora da conversa. Não há cortes a serem feitos, nem gordura a ser retirada de uma longa entrevista, o que, no entanto, não deve ser confundido com formalidades e afins. Os gestos delicados – herança de uma carreira de bailarina, dedicada até os 19 anos –não lhe tiram, contudo, o peso e a seriedade das palavras.
Como apresentadora do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão ostenta pelo menos dois feitos: reformatou a linguagem do noticiário noturno da emissora, com uma redação e apresentação mais informal e, por isso mesmo, aumentou a audiência. Quando fala de trabalho, deixa transparecer um entusiasmo juvenil. Quando fala de economia e política, postula com a experiência de quem acompanhou de perto – em Brasília, sua terra natal – todas as mais importantes medidas do poder e os pacotes econômicos que provocaram as conhecidas reviravoltas nos bolsos dos brasileiros. Trabalhar e falar de trabalho são motivos de prazer para a jornalista que, antes de qualquer entrevista ressalva, precavida: “é sobre trabalho que vamos conversar?”.
Se Ana Paula Padrão se preocupa com os limites da vida privada e não dá brechas para assuntos que não sejam os do seu ofício, a imprensa de modo geral gosta de estampar fotos e textos relacionados a sua pessoa, o que a incomoda. Na semana em que concedeu esta entrevista à IMPRENSA, era chamada de capa da revista Caras, que a flagrou com o novo marido em apresentação de Roberto Carlos em São Paulo. É inevitável.
Ainda que hoje Ana Paula Padrão seja reconhecida como a apresentadora do Jornal da Globo, missão lhe conferida por Carlos Evandro de Andrade, a jornalista deixa muito claro que está vocacionada para a reportagem. Tem tato. Tem faro. Tem feeling. Fala sobre as relações cultivadas em Brasília e sobre os telefonemas que diariamente faz aos principais gabinetes do país, à caça de informações. E fala também sobre as experiências como repórter em situações de conflito, como nos Bálcãs e no Afeganistão.
Em entrevista que já nasceu quase editada, Ana Paula Padrão:
IMPRENSA – O que marcou a sua carreira foi a sua especialização em economia. Como isso aconteceu? Foi uma escolha consciente, você já direcionou seu trabalho neste sentido?
Ana Paula Padrão – Não foi consciente. Na verdade, foi uma coincidência muito benéfica. A primeira coisa que fiz, quando trabalhava na Rádio Nacional em Brasília, onde comecei, foi um programa rural, então me acostumei muito com a área de abastecimento, isso foi em 86, na época do desabastecimento, aquela coisa de laçar boi no pasto, e tinha pouca gente na rádio que tivesse intimidade nessa área, e eu acabei indo cobrir esse assunto no jornalismo. Eu era uma foquinha, estava começando. Quando fui para a Globo, fiz “local”, que é uma grande escola, mas sempre que aparecia uma matéria de economia, acabava cobrindo, até porque tinha alguma noção da área. Alguns assuntos, para a televisão, são muito complicados, mas a economia você consegue levar para o dia-a-dia das pessoas. Qualquer que seja o assunto. É muito mais fácil que a política, onde as coisas são mais etéreas. A televisão, antes de ser um veículo de informação, é um veículo de entretenimento.
IMPRENSA – Você tinha consciência de que estava inaugurando um novo modo de cobrir economia na televisão? Havia liberdade para essa forma de cobertura?
Ana Paula – Total. O que aconteceu, foi que depois disso não se conseguiu mais cobrir economia nos gabinetes. A televisão se faz todo dia. Todo dia se descobre coisas novas que se pode fazer no jornalismo usando os recursos da televisão. Na época, o que me movia era a insatisfação com aquele tipo de resultado visual. Comecei a procurar uma maneira de fazer isso de forma interessante, para as pessoas apreenderem aquela informação. Eu pensava em maneira de tornar aquilo tudo mais simples, embora não simplório. Tínhamos liberdade total. O veículo é aberto, é novo.
IMPRENSA – Você aprendeu a ser jornalista em Brasília, numa realidade bastante peculiar, no sentido de como se lida com o off e quem é fonte confiável... como você foi galgando este caminho?
Ana Paula – Brasília é uma grande escola para o jornalismo. Em Brasília, o retorno do que é uma boa informação e do que é uma informação pouco confiável é muito rápido. A notícia no estado bruto está em Brasília. O que acontece no resto do país é uma repercussão do que acontece no poder. Você aprende em Brasília como se movimenta o governo. Se você aprendeu uma vez, aprendeu once and for all. Eu dei muita sorte de estar em Brasília e ter tido toda a minha base de conhecimento e treinamento profissional lá. Lidar com fontes é uma coisa intuitiva. Cada profissional funciona de uma maneira, não tem regras para isso. Eu acho que você estabelece qual vai ser a relação com uma fonte nas três primeiras conversas que tem com ela.
IMPRENSA – O jornalismo em TV, pelas próprias características que guarda, é muito mais cauteloso, arrisca menos nas relações com as fontes, do que o jornalismo impresso?
Ana Paula – No caso de Brasília, não. Se você quer ser um profissional competitivo, se quiser dar a notícia antes que os jornais impressos dêem no dia seguinte, você tem que apurar da mesma maneira e ter o mesmo percentual de informações do que qualquer outro jornalista de outro veículo. O que vai ao ar pode ser menos, mas o número de informações apuradas e a certeza sobre a qualidade daquelas informações têm que ser rigorosamente as mesmas.
IMPRENSA – Que saudade você tem das suas experiências como repórter diária? Você continua fazendo reportagens?
Ana Paula – As pessoas me perguntam muito isso e é difícil explicar que hoje não é tão diferente assim. É claro que eu tenho outras preocupações que são com o conjunto do jornal, mas dou a mesma quantidade de telefonemas que dava antes, e continuo conversando com as pessoas, marcando encontros. A diferença é que não estou no dia-a-dia. Quando estava em Brasília, passava todos os dias no Banco Central e no Ministério da Fazenda. Agora eu faço isso apenas uma vez por mês.
IMPRENSA – A sua intervenção no Jornal da Globo é grande?
Ana Paula – É enorme. Eu apuro coisas para dar em notas, para ajudar os repórteres, para pautar ou apenas para me manter informada. Aquelas conversas de conjuntura que se tem quando é repórter, continuo tendo. A essa hora (da entrevista), eu estaria em casa ao telefone. Aproveito o fim da manhã para dar os telefonemas que não são de notícia, mas de conjuntura. Você não pode se manter longe das pessoas por tempo demais. Quando você senta com uma pessoa, frente a frente, consegue coisas que não é possível por telefone.
IMPRENSA – A partir do momento em que você assumiu o Jornal da Globo, houve uma preocupação em humanizar a forma como ele era feito? Torná-lo menos sisudo e mais fluído foi o seu objetivo?
Ana Paula – Nada do que foi feito no Jornal da Globo foi por acaso. Eu tinha um objetivo, sim, que era fazer um Jornal que se parecesse mais comigo. Eu sou menos formal, mais coloquial. Acredito na informação passada de maneira coloquial. Isso vem desde os tempos da cobertura de economia. Eu tive uma preocupação muito grande quando cheguei, que foi de montar uma equipe interna com jornalistas que entendessem e comprassem verdadeiramente esta proposta. Não dá para fazer o jornal sozinha.
IMPRENSA – Essas transformações tiveram a ver com a sua ida para o Jornal da Globo ou foram posteriormente pensadas?
Ana Paula – Você deveria perguntar isso para o Evandro Carlos de Andrade, que não está mais aqui para responder. Quando ele disse que queria que eu fosse, e eu apresentei um projeto, ele disse: “é isso!”. Comecei, então, a tocar do jeito que deveria ser tocado. A decisão dele em ter uma pessoa com o meu perfil no Jornal da Globo incluía uma mudança que era essa. A partir daí todas as decisões foram tomadas por mim. É menos difícil mudar na TV Globo do que parece ser. É uma máquina grande, é uma máquina mais pesada do que uma redação pequenininha, mas é perfeitamente possível apresentar projetos e aprová-los. Eu nunca tive dificuldade nisso. Tanto que fiz.
IMPRENSA – Vamos conversar um pouco sobre a recepção do jornalismo em televisão. Como você imagina que o brasileiro médio lida com as notícias que vê pelo televisor? Você acredita que ele tenha percepção da importância das decisões no âmbito econômico, tomadas em Brasília, para a sua vida cotidiana?
Ana Paula – O brasileiro é sofisticadíssimo em termos econômicos. Depois que morei fora, tive certeza absoluta disso. É impressionante. Você pode imaginar alguma coisa mais complicada do que a URV? E todo mundo tinha tabelinha de conversão na semana seguinte. Lidar com a inflação como a gente fez durante anos exige um grau de sofisticação econômica impressionante. Hoje o Brasil tem um dos consumidores mais sofisticados do mundo. A gente tem dezenas de órgãos de defesa do consumidor. O brasileiro é mais sofisticado econômica do que politicamente.
IMPRENSA – Quando era uma foca, você presenciou um momento muito turbulento da economia e da política brasileira. O Brasil estava em vias de eleger um presidente, que depois caiu; a inflação era astronômica e assim por diante. Era mais fácil cobrir esses cenários, quando a economia era pior, ou é mais fácil cobrir hoje, quando a economia está entre aspas mais tranqüila?
Ana Paula – A economia tomava mais espaço do nosso tempo do que toma hoje. E não tinha que repercutir tanto o noticiário econômico, simplesmente porque não havia tempo para isso. Todos os dias, tinha uma notícia em estado bruto. Hoje, o noticiário ficou um pouco mais sofisticado. Ele é menos a notícia bruta e é mais a repercussão do fato.
IMPRENSA – Mas no contrapé, não há um risco de que essa análise seja percebida como uma tomada de partido?
Ana Paula – Se você olhar o jornal como um todo, todas as matérias, a maneira como são levadas ao ar, as notas entre uma matéria e outra, você pode até imaginar o que penso. Mas você não vai me ver palpitando no jornal. Eu não acredito nisso. São coisas bem diferentes.
IMPRENSA – Isso tem alguma coisa a ver com o jornalismo norte-americano e com o tempo que você passou em Nova York?
Ana Paula – Talvez sim. Eu acredito muito em um tipo de ancoragem que é esse. E a carreira natural de um jornalista de televisão nos Estados Unidos é ser, ao final, um âncora que teve experiência em reportagem. É nisso que eu acredito. Mas já acreditava nisso antes de morar nos Estados Unidos. Não sei se fui mais ou menos influenciada neste período. Eu certamente amadureci mais esta idéia. O tipo de jornalismo que a gente faz é um reflexo da demanda da população.
IMPRENSA – Você diz que não daria palpites ao apresentar o telejornal. Por quê?
Ana Paula – Eu apenas não acredito nisso. As pessoas subestimam o telespectador.
IMPRENSA – O que você acha do Boris Casoy, então?
Ana Paula – Ele é um grande profissional, respeito à beça aquele jornal... apenas... (pensativa) não temos a mesma escola. É muito mais produtivo deixar o telespectador pensar e tirar as suas próprias conclusões. As informações estão todas ali. O que eu penso ou deixo de pensar a respeito de fulano ou de determinada decisão não importa, não interessa, é apenas a minha opinião.
IMPRENSA – Depois de um ano do ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, que tipo de progresso ou mudança você vê na forma como o jornalismo enxerga o Oriente Médio, em especial os afegãos?
Ana Paula – O brasileiro tem muito mais informação sobre o Afeganistão do que tinha na época do atentado, mas ele já tinha muita informação. A primeira série que a gente fez no Afeganistão foi muito importante, além de ser uma enorme coincidência. Não tenho bola de cristal e não sabia que as torres do World Trade Center iriam ser derrubadas. E tinha gente na TV que me perguntava: “mas você sabia?” (risos). Já existia muita informação sobre o que acontecia naquele país, o brasileiro já sabia o que era o Taleban. Embora as matérias não tenham se preocupado com a Al-Qaeda ou com a ligação deles com alguma rede terrorista mundial, já ficava claro que era uma milícia radical e que tinha muitas conexões com traficantes. Já existia na cabeça dos brasileiros uma noção de que aquilo existia. O Afeganistão entrou no mapa das preocupações do Brasil antes do atentado. Cobertura de guerra ainda é muito complicada para a imprensa mundial. Ela é muito eivada de pontos de vista localizados. Em Kosovo, onde eu estive duas vezes, percebi que a imprensa cobria de forma muito parcial, mas muito parcial mesmo.
IMPRENSA – A CNN é a grande pauteira do jornalismo ocidental?
Ana Paula –Não só a CNN, mas a ABC, a NBC, CBS. No caso americano, era uma cobertura estupidamente parcial. Do ponto de vista do que é uma guerra, se você eliminar os motivos básicos e os interesses dos governos, são dois povos sofrendo do mesmo jeito. Os albaneses e kosovares sofriam e os sérvios sofriam também. O princípio da guerra tem que ser estudado e é evidente que você tem que se posicionar, mas deixar de mostrar que tem uma população inteira sofrendo com aquilo, ignorar, e achar que é justificável que eles morram, sofram, percam seus parentes? E vai cobrir um lado dessa história, só? Nenhum manual de jornalismo, nenhuma escola acharia isso bonito. Não pode ser desse jeito.
IMPRENSA – É permitido ao correspondente de guerra sofrer? Você sofreu?
Ana Paula – Sofre, definitivamente. O que você desenvolve é uma maneira de não sofrer demais enquanto você está cobrindo o fato. Porque das duas uma: ou vai ser parcial, se isolar do lado que lhe parece mais simpático; ou vai ficar com tanto medo que não vai conseguir cobrir o que tem que cobrir. Se sofrer a cada segundo com cada dramas daqueles, você não faz nada, fica imóvel, senta e chora. Eu chorava de noite, no travesseiro.
IMPRENSA – Que tipo de perspectiva etnocêntrica você teve que deixar no país para cobrir esses conflitos internacionais?
Ana Paula – Em qualquer viagem para qualquer lugar, se você não deixar as suas referências para trás, não faz nada. Só vai entender a cabeça daquelas pessoas se deixar as referências para trás, e entender aquelas pessoas, o universo delas, a história delas, a cultura. Nada. Se eu fosse me sentir uma mulher ultrajada no Afeganistão, eu iria de bandeirinha, carregando as minhas referências...
IMPRENSA – Mas usar a burca no Afeganistão não foi desconfortável para você, enquanto mulher que vive uma condição de liberdade?
Ana Paula – Eu não usei a burca. O meu acordo com o governo afegão era usar o chador e as roupas locais. Cobri a cabeça. Em qualquer outro país muçulmano para onde fui, eu usei o chador. É um sinal de respeito, é muito mais fácil conversar com uma afegã ou com uma muçulmana de qualquer lugar do mundo se estiver com a cabeça coberta do que usando calça jeans. E a minha intenção não é carregar as minhas referências para aquela pessoa entender as referências dela.
IMPRENSA – Quem é o público do Jornal da Globo e como você se relaciona com ele?
Ana Paula – É surpreendente: não é muito diferente do público do Jornal Nacional. Nós temos basicamente o mesmo corte de público do JN, a diferença é o público fiel. A minha porcentagem fiel é um pouco mais velha, de uma classe social um pouco mais alta e de um padrão cultural um pouco mais elevado.
IMPRENSA – Nessa perspectiva, como foi a rodada de entrevistas com os presidenciáveis no Jornal da Globo? Para você, que diferenças houve entre as suas entrevistas e as do Jornal Nacional?
Ana Paula – Além do tempo, a diferença foi na maneira de fazer. Talvez eu não pudesse ter falado de centralização cambial na Malásia no Jornal Nacional. No Jornal da Globo, o telespectador, se não sabe do que estamos falando, ao menos espera que falemos desses assuntos.
IMPRENSA – Essas mudanças na forma como o jornalismo da Globo está cobrindo as eleições neste ano foram estimuladas por que forças na emissora? Os jornalistas, como um todo, sugeriram ou solicitaram essas alterações?
Ana Paula – (Pensativa) Essa é uma pergunta para a direção da casa e não para mim. Foi uma evolução natural da imprensa. A gente tem um passado democrático muito curto. As três últimas eleições para presidente foram conduzidas por determinados fatos. A eleição do Collor foi a primeira eleição democrática, a eleição da novidade; depois a eleição do Fernando Henrique foi a da estabilidade econômica; e depois a reeleição. Essa é a primeira grande eleição da Nova Democracia e, como qualquer grande fato, a imprensa tem que cobrir bem. Errou quem acreditou – e eu até me incluo nisso – que o horário eleitoral gratuito seria decisivo nesse ano. A imprensa começou a cobrir as eleições muito mais cedo do que nas campanhas anteriores.
IMPRENSA – Agora que começou o horário eleitoral gratuito, você acha que muita coisa ainda vai mudar, e o andamento das pesquisas ainda pode reservar surpresas?
Ana Paula – Tudo pode reservar uma grande surpresa (risos). Mas, definitivamente, o horário eleitoral vai ter menos importância do que teve nas campanhas passadas. Ninguém imaginava que o papel da imprensa pudesse ser tão importante e fundamental. No horário eleitoral, o candidato diz o que quer da maneira que quer, no noticiário ele não tem o mesmo poder. Neste ano, a imprensa antecipou o calendário eleitoral e essa não foi uma decisão dos órgãos de comunicação, foi uma demanda da população que viu uma eleição com mais dificuldades de escolha.
IMPRENSA – Os jornalistas estão aprendendo agora a cobrir o processo político democrático?
Ana Paula – É evidente. Assim como aprenderam a cobrir economia. A imprensa livre precisa amadurecer e está amadurecendo. Quantas vezes não se quis regulamentar a atuação da imprensa, impor normas para estabelecer limites? Isso é bobagem porque a imprensa só faz aquilo que a população quer.
IMPRENSA – Como você avalia a diferença que o Tribunal Superior Eleitoral tem no tratamento da regulamentação da cobertura das campanhas em rádio e TV, comparada à de jornalismo impresso?
Ana Paula – Eu não vejo exatamente dessa maneira. O TSE tem se comportado de maneira muito razoável com o noticiário de imprensa de maneira geral. A legislação é excessivamente rigorosa e seria muito difícil para a imprensa cobrir essa eleição seguindo letra a letra a lei que regulamentou a cobertura.
IMPRENSA – Você acha que de modo geral a imprensa subestima o valor das eleições para o legislativo? Como você avalia a cobertura para a escolha dos deputados estaduais, federais e senadores?
Ana Paula – O eleitor, de maneira geral, está muito preocupado com a eleição para presidente e menos do que deveria com a eleição para o legislativo, o que é um fenômeno de países de regimes presidencialistas fortes como o brasileiro.
IMPRENSA – É um fenômeno latino-americano.
Ana Paula – Exatamente. É onde a figura do presidente é muito forte, embora eu ache que no caso brasileiro tenha algumas diferenças em relação aos nossos vizinhos. Aqui no Brasil, primeiro consolidamos a democracia e depois a questão econômica. Isso faz toda a diferença. Nos outros países da América Latina, a estabilidade econômica aconteceu nos regimes ditatoriais, então a democracia é mais frágil. Você sempre associa os momentos de crise com a volta dos militares ao poder. No Brasil, não. Aqui, passamos por gigantescas crises econômicas que não nos levaram a pensar na volta da ditadura. E nem crises políticas, como a do Collor, fizeram alguém pensar nisso.
IMPRENSA – Ao ler os programas dos candidatos, você percebeu muita incoerência nas propostas para a área econômica?
Ana Paula – Não fica claro o que é a intenção e o que é a possibilidade prática daquela intenção. E, como de boas intenções o inferno está cheio, os candidatos deveriam estar muito mais preocupados em como vão fazer para atingir os seus objetivos. Isso acontece em todos os programas. A promessa – ainda bem – é um instrumento cada vez menos importante para atingir o eleitor. Ela perdeu muito poder no processo eleitoral.
IMPRENSA – Na sua opinião, o país vai mal?
Ana Paula – Eu sou uma otimista incorrigível. Vi o país mudar tanto nos últimos 15 anos, as pessoas mudarem tanto nesse tempo, que estou convencida de que a estabilidade econômica não é fruto deste ou daquele governo. A democracia é lenta mesmo, mas funciona (enfática). Eu tenho um entusiasmo com a democracia. O brasileiro é tão inteligente, sofisticado e rápido que eu não vejo um modo desse país não ficar melhor.
IMPRENSA – Você faz parte de um grupo de jornalistas que têm relevância nacional, com a diferença que você é facilmente reconhecida publicamente. Isso lhe causa algum incômodo?
Ana Paula – Honestamente? Eu preferiria o anonimato. O que me deixa pouco à vontade é o fato de que as pessoas querem determinado tipo de informação sobre a minha vida que não tem nada a ver com o trabalho que eu faço. Eu entendo a curiosidade das pessoas, mas não tenho nenhum interesse em alimentar isso. Não é isso que me move. Eu gostaria muito da situação ideal, perfeita e impossível: ser avaliada sempre pelo meu trabalho. Como eu não cubro a vida particular de nenhuma personalidade pública eu adoraria ter resguardada a minha vida pessoal.
IMPRENSA – Procede a informação de um convite que o SBT teria feito para você apresentar um jornal nos mesmos modelos do Jornal da Globo e que o Sílvio Santos teria lhe oferecido um “caminhão de dinheiro”?
Ana Paula – Pergunta para o Silvio Santos. Eu não vi caminhão nenhum. Estou muito feliz onde estou. Gosto muito da casa onde trabalho e não teria motivo para sair de lá.
12//11/2002
Ela contou um episódio ocorrido em New York quando precisou abandonar sua matéria e retornar ao Brasil às pressas por conta do falecimento de um parente. Problemas no aeroporto retardavam a decolagem da aeronave e Ana teve uma crise de choro. Ela narrando esse momento, com cara de choro e batendo os pézinhos, dá vontade de apertar a bochecha dela e dizer: "lindinha, chora não".
Ana Paula Padrão segundos antes de entrar no altar de sua casa, em São Paulo. Nervosa e felicíssima, Ana Paula dizia a Paulinho Araújo, enquanto ele dava o último retoque, que não queria ficar um segundo a mais longe do marido. Encantada com o vestido anos 40, ela diz ter resgatado a Ana Paula romântica, seduzida, apaixonada... que a rotina do árduo trabalho lhe tirou com o passar dos anos
30/11/2002
Segunda a Ana estará de volta ao Jornal da Globo!!!
Olha que maldade deste cara... até parece que a Ana Paula é assim...
Pimenta do Salomão: Ana Paula Padrão no fumódromo
A jornalista-sexy Ana Paula Padrão já voltou de sua turnê África Selvagem. Mas quem ainda está no comando é a vinheta: Jornal da Globo, hoje, apresentado pelo jornalista-sexy Willian Waack! Ontem, a fofa andava de um lado para o outro pelos intermináveis corredores globais fumando mais que uma caipora! Tensa! Mas o cabelo embaixatriz já estava impecável: conseguiu desembaraçar aquele look ninho de zabelê-africana com o qual ela chegou! Depois do bafafá da vinheta, será que ela vai criar um bafon no fumoir: tradução - fumódromo? Drama!!!