Ana Paula Padrão: o desafio da repórter
A bailarina clássica que se transformou em jornalista assume o lugar de Lilian Witte Fibe no Jornal da Globo

“Orgulho-me de ter tornado a economia um assunto mais fácil para o consumidor brasileiro”, diz a jornalista Ana Paula Padrão
A menina que pisava torto tornou-se bailarina clássica quase que por acaso. O médico supunha que os exercícios específicos dessa arte seriam capazes de corrigir aquele descompasso. Mas ela acabou tomando gosto pela coisa. Transformou-se em aluna, professora e profissional dedicada. Foram 15 anos de aplicação espartana. A dança, porém, atingia os propósitos da ciência, mas não supria suas necessidades intelectuais. Depois de submeter-se a uma maratona de testes do grupo Corpo, de Belo Horizonte, decidiu abandonar a carreira. Foi assim que o balé perdeu a brasiliense Ana Paula Padrão para o jornalismo. Aos 34 anos, essa repórter prepara-se para enfrentar seu mais novo desafio, a partir do dia 7 deste mês, agora como apresentadora do Jornal da Globo – função que era ocupada por Lilian Witte Fibe.

“Continuarei sendo uma repórter na função de apresentadora’’
Ana Paula Padrão
Às vésperas da estréia, Ana Paula tem chegado por volta das 10 horas nos estúdios da Rede Globo, em São Paulo. E não sai antes da meia-noite. A ex-correspondente da emissora em Nova Iorque e Londres está ansiosa. Nesse período, não encontra tempo para se alimentar corretamente. Muito menos disposição. “Não consigo comer em situação de tensão”, revela a também editora-executiva do telejornal. A jornalista, que não freqüenta academia de ginástica nem pratica esportes, deseja carimbar sua marca pessoal no Jornal da Globo logo no início do seu reinado. “Continuarei sendo uma repórter na função de apresentadora, quero trazer notícia para o telespectador”, diz. “Eu nunca deixarei de apurar uma informação.”

Casada com o jornalista Marcelo Netto e sem filhos, Ana Paula Padrão tem uma trajetória de sucesso. Quando abandonou o balé, aos 19 anos, atuou como produtora num programa rural da Rádio Nacional de Brasília. Nessa época, aprofundou-se no jornalismo econômico e destrinchou temas como desabastecimento, poupança e alta de preços. “Orgulho-me de ter tornado a economia um assunto mais fácil para o consumidor brasileiro.” Da rádio partiu para a ex-Manchete. Em abril de 1987 era contratada pela Rede Globo da capital federal. Lá, participou da cobertura de todos planos econômicos. Sua última experiência em campo aconteceu no Afeganistão, numa série de reportagens que foi ao ar no Fantástico. Durante 20 dias, ela colecionou 25 horas de gravação, emagreceu quatro quilos, driblou a censura local e retornou encantada com o país. E essa história pode virar livro. “A última matéria é sempre a melhor”.
Fonte: Istoé Gente

A bela da noite
Jornal da Globo tem nova âncora, mas ibope velho
Ana Paula: ela não é uma graça?
Depois de treze anos como repórter da Rede Globo, Ana Paula Padrão assumiu, no dia 7, uma nova e prestigiosa função: tornou-se âncora do Jornal da Globo, que vai ao ar de segunda a sexta no final da noite. Ana foi escolhida a dedo pelos executivos da emissora. Como o programa é muito assistido por homens, eles buscavam uma moça de fina estampa para tentar ampliar a audiência. Em sua primeira semana, entretanto, a nova apresentadora conseguiu apenas manter a média anterior – 15 pontos. Só neste ano, já foram três os responsáveis pelo Jornal da Globo, todos com estilos bem diversos. Lillian Witte Fibe ocupou a bancada até o dia 27 de abril. Ótima jornalista, não hesitava em emitir opiniões e era dada a fazer caretas de desaprovação. Depois dela, veio o discretíssimo Carlos Tramontina, uma espécie de eterno interino da emissora. Ana Paula Padrão se diz dinâmica. Anuncia que vai imprimir um ritmo mais ágil ao programa. Tem planos para não ficar presa ao estúdio e transmitir o noticiário de diferentes lugares – a começar por Sydney, onde vai estar durante as Olimpíadas. O Ibope não registrou quedas ou saltos em nenhuma das trocas de bastão. Ou seja, o Jornal da Globo não é uma atração que dependa muito de seu apresentador. O que importa é a sua pauta e o aprofundamento das informações que dá ao telespectador. Mas é claro que, se o rostinho do âncora for de Ana Paula Padrão, até a pior notícia ganha uma certa graça.
Fonte: Revista Veja

Jornal da Globo
Ana Paula Padrão imprime agilidade à nova fase do telejornal

Ancorar repórteres que apresentam, ao vivo, as últimas informações sobre os fatos mais importantes do dia é uma faceta jornalística comum às telas norte-americanas. Pouco explorada, porém, pelos telejornais brasileiros. A exceção ocorre quando algum avião cai ou quando há depoimento de político acusado de corrupção no Congresso Nacional. O Jornal da Globo (segunda a sexta, 23h30) quer, agora, preencher essa lacuna. E coube à jornalista Ana Paula Padrão essa empreitada. “Teremos mais entradas ao vivo, com maior participação dos repórteres”, diz Ana Paula. “Vamos dar inquietação ao jornal, aliada ao esforço de dar profundidade à notícia”, diz Ricardo Melo, editor-chefe do JG.
A ex-repórter e ex-correspondente da emissora apresentou na segunda-feira 7 um jornal de primeira linha. Abriu com Caco Barcellos mostrando o apartamento milionário do juiz Nicolau dos Santos Neto, nos EUA. O jornal deu ainda uma volta ao vivo pelo País, com outras estrelas globais dando as últimas informações sobre política e polícia. César Tralli, por exemplo, ficou plantado até tarde da noite em frente aos portões da 1ª Vara Criminal Federal, em São Paulo, para informar que, depois de dar depoimento, o senador cassado Luiz Estevão viajou a Paris para espairecer.
Edmilson Ávila estava dentro da carceragem Polinter, no Rio, onde o empresário Jair Coelho está preso. Lá, o repórter informou ao vivo que o rei das quentinhas recusou-se a se alimentar com a comida fornecida por sua própria empresa. Carlos Monforte e Arlete Milhomem também marcaram presença com informações sobre a corte brasiliense. Em outro bom momento houve o depoimento de William Waack. O jornalista fez uma série de reportagens para os jornais da emissora sobre as preocupações do eleitorado brasileiro. E deu suas impressões a respeito: “Os eleitores estão mais preparados e exigentes”, disse Waack.
O JG sempre se apresentou como um telejornal que fazia uma espécie de pot-pourri das principais notícias apresentadas momentos antes no Jornal Nacional. Lilian Witte Fibe deu seu toque pessoal ao enfocar melhor o noticiário de economia e de saúde. Agora, com uma repórter à frente, é possível que o Jornal da Globo consiga manter a verve da notícia quente nos finais das noites. Bom para o telespectador, que já pode acordar pela manhã informado sobre parte das notícias dos jornais impressos.

Ana Paula, a replicante, e nós, os imperfeitos
Três semanas de Ana Paula Padrão no comando do Jornal da Globo bastaram para confirmar o acerto da emissora na escolha. Outro dia, num almoço com amigos, o deputado do PV, Fernando Gabeira, ao ouvir o nome da apresentadora, acendeu os olhos por trás dos óculos e comentou: "Gosto dela!
Parece uma replicante." Feliz comparação. Escudada naquela beleza de porcelana, uma relação olímpica com a notícia. Olímpica de olimpo, a morada dos deuses na mitologia grega. Olímpica porque ela não parece estar falando de seres da sua espécie, mas de uma outra, de seres que ainda se debatem nas incertezas, nas paixões, nas misérias, que ainda se matam, assaltam, achacam. Pode não parecer, mas estou falando bem dela. A notícia transmitida por Ana Paula é clara, sem enfeites (mérito também da equipe de redatores, que tem evitado aqueles joguinhos de palavras irritantes e já desgastados de outros noticiosos da emissora). Há um efeito de distanciamento no seu jeito de apresentar, e deve ter sido isto que acordou no deputado Gabeira a referência a replicante. O distanciamento nos intimida, como se um olhar de fora nos vigiasse. Como se pensássemos: ela não é um de nós. O olhar replicante nos coloca em cheque, envergonhamo-nos das coisas "humanas", "cá de baixo". A notícia fica mais crítica, mesmo que a apresentadora não faça comentários. Basta aquele olhar, aquela beleza olímpica. A maquiagem, muito clara, acentua as sobrancelhas, torna os olhos escuros mais penetrantes, como se pudessem enxergar além da telinha; as roupas da apresentadora, de um corte às vezes futurista, reforçam o efeito. Alguém disse: ela parece fria.
Não é isso. O que ela não quer é intimidade conosco, uns imperfeitos.

O novo Jornal da Globo
A partir do dia 7 de agosto o Jornal da Globo passa a ser apresentado pela jornalista Ana Paula Padrão, substituindo o jornalista Carlos Tramontina, que interinamente ocupa a função desde maio. Ana Paula também será editora executiva do Jornal da Globo. Nos últimos dois anos, ela foi correspondente internacional nos escritórios da Rede Globo em Londres e em Nova Iorque. A jornalista está na Rede Globo desde 1987.

A chegada de Ana Paula à bancada do Jornal da Globo será acompanhada de uma ampla reformulação do telejornal. "As mudanças vão acentuar a personalidade do telejornal, que tem um público fiel e que queremos ampliar", diz a jornalista.

As mudanças no Jornal da Globo abrangerão o conteúdo e a forma. No primeiro, o telejornal vai buscar uma densidade maior. Além das notícias do dia, também apresentado uma análise dos fatos. "Queremos dar um passo a mais no que já foi notícia e também queremos antecipar o dia seguinte para o telespectador, para ele não ter surpresas quando abrir os jornais na manhã do outro dia."

No formato, o objetivo é alcançar algo mais moderno, alterando a forma como as notícias são apresentadas. "Teremos mais entradas ao vivo, com maior participação de repórteres. As matérias serão feitas com uma estrutura mais ágil. Em determinadas reportagens usaremos conceitos mais modernos, que fujam do jeito tradicional da cabeça do apresentador e a matéria em seguida." Isso será feito, explicou Ana Paula, de maneira informal. "Queremos que o jornal seja quase um bate-papo com o telespectador, sem perder o conteúdo jornalístico."

Esta nova fase do Jornal da Globo terá colunistas fixos. De Brasília, Franklin Martins com os comentários de política. Arnaldo Jabor continuará com sua crônica e Cleber Machado falará de esportes. Ednei Silvestre também apresentará crônicas comportamentais de Nova Iorque, onde atua como correspondente no escritório da Rede Globo.

O Jornal da Globo abrirá espaço para profissionais com perfis diferentes em matérias especiais. Para isso, o telejornal poderá contar com participações dos jornalistas Genetton Moraes Neto e Luis Nachbin. O primeiro é um dos editores do Fantástico e o segundo faz matérias especiais para programas como Globo Esporte e Esporte Espetacular. Assuntos da semana ou do mês serão pautados e dissecados no quadro batizado de Lente de Aumento.

Até mesmo Ana Paula poderá ir à rua fazer reportagens ou receber convidados, ao vivo, no estúdio. "Na essência, eu continuo a ser uma repórter. Na verdade, eu sou uma apuradora. Eu vou estar com a equipe apurando a notícia, contactando as minhas fontes."

Segunda Ana Paula "O âncora não precisa necessariamente ficar preso ao estúdio. Ele pode mudar na medida que a notícia pedir isso. Se um fato estiver acontecendo em um determinado lugar, levaremos o telejornal para lá." Durante as Olimpíadas de Sydney, por exemplo, o Jornal da Globo será ancorado diretamente da Austrália.

Ana Paula também pretende se comunicar com o telespectador através da Internet. A idéia é criar um site no qual o público poderá se cadastrar, para receber, antes de o telejornal ir ao ar toda a noite, uma carta da própria apresentadora apontando as notícias que terão destaque mais tarde. "Queremos também a interatividade do lado contrário, recebendo críticas e sugestões dos telespectadores." O Jornal da Globo manterá seus tradicionais canais com o público, através de telefones e cartas. "Queremos que as pessoas consigam se comunicar com a gente."

O Jornal da Globo continua a ser transmitido da redação de São Paulo. O atual cenário ganhará adaptações, como novas angulações de mesas e do telão. "Este é um dos melhores cenários da casa. Não precisa mudar. Mais importante do que o cenário, é o que o jornal vai ter e apresentar", analisa Ana Paula.

Quem é Ana Paula Padrão?
Ana Paula Padrão entrou na Globo em 1987, em Brasília, cidade onde nasceu há 34 anos. Como jornalista, ela já trabalhou para diversos telejornais da emissora, como Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e Jornal Nacional. Do início cobrindo a editoria local na capital federal, logo migrou para a cobertura econômica. Antes de ir para o exterior, Ana Paula fez, por dois anos, colunas sobre economia para o Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. Ela nunca foi âncora, mas já fez substituições à frente das bancadas do Jornal Nacional e do próprio Jornal da Globo. Ana Paula faz questão de dizer que, antes de mais nada, continuará a ser uma repórter que gosta de estar onde as coisas estão acontecendo. "Isso me dá segurança.".

Ana Paula Padrão assume vaga de Lilian Witte Fibe
"Jornal da Globo" ganha nova âncora amanhã

Após a saída um tanto intempestiva de Lilian Witte Fibe, no último mês de abril, o "Jornal da Globo" enfim ganha uma nova âncora. Amanhã, a brasiliense Ana Paula Padrão, 34, ex-correspondente da Globo em Londres e Nova York, assume a função de editora-executiva do segundo jornal mais importante da emissora, atrás apenas do "Jornal Nacional". Sua principal missão, além conseguir substituir a credibilidade de Lilian perante os telespectadores, será dar mais agilidade à atração.
"Queremos um jornal mais inquieto, que surpreenda o telespectador", afirma Amauri Soares, diretor editorial de jornalismo da Globo em São Paulo.
Para Ana Paula, que consolidou sua carreira sendo repórter de política e economia em Brasília, "um jornal de fim de noite deve trazer tudo o que de importante ocorreu no dia e dar um panorama do que acontecerá amanhã". "Ou seja, deve ser um programa imprescindível", diz ela.
O primeiro passo nessa nova linha editorial do "Jornal da Globo" será a Olimpíada de Sydney. Em setembro, Ana Paula viaja com a equipe para a Austrália, onde deve ancorar o telejornal.

Ana em entrevista a revista Contigo

A informante da noite
Charmosa e competente a nova âncora do Jornal da Globo garante classe, segurança e um bom ibope ao programa. Bailarina até os 18 anos, casada três vezes com o mesmo homem, ela tem um segredo para manter a forma: “Só almoça”.
O sorriso perfeito está longe de denunciar os quase vinte cigarros diários. A pele impecável e o corpo de bailarina – fruto de constantes ensaios sobre as sapatilhas – fazem os 34 anos parecerem bem menos. Mas o ar de garotinha termina aí. Quando começa a conversar, a brasiliense Ana Paula Padrão é a maturidade em pessoa. Com a segurança de quem há quinze anos persegue as notícias, ela encara no olho, objetiva e compenetrada, exatamente como faz diante das câmeras do Jornal da Globo. A não ser que a pergunta seja pessoal. Aí, a primogênita dos três filhos do funcionário público Fausto de Vasconcelos Padrão e da professora Shirley torna-se evasiva. Se pudesse, com certeza preferiria nem falar sobre o casamento com o jornalista Marcelo Netto, por exemplo. Mas com jeitinho...

Quando você decidiu ser jornalista?
A primeira vez que me interessei pela carreira foi aos 11 anos, assistindo Mary Tyler Moore (seriado americano cuja personagem principal é uma jornalista). Sempre fui muito curiosa, adoro ver as coisas e estar onde elas acontecem. Mas fui bailarina até os 18 anos e só mudei de opinião ao entrar para a universidade. O que eu não achei é que seria em televisão. Eu queria fazer jornal e não televisão.

Por que o jornal lhe parecia melhor?
Acho que, há quinze anos, existia um pouco de preconceito contra a televisão, que era um veículo superficial. Até que o diretor de uma revista com a qual eu colaborava me levou para fazer um teste na TV Brasília. Fiz, fui aprovada e três meses depois a Globo me convidou e fui contratada para fazer o jornal local.

Você imaginava que iria chegar onde está?
Levo a minha carreira muito a sério, pois ela sempre foi o principal na minha vida. Sou atenta e dedicada, sempre trabalhei para melhorar. Mas nunca tive planos de ser apresentadora, porque gosto muito de reportagem e me orgulho da minha carreira de repórter. Estava muito feliz como correspondente em Nova York e até mesmo antes. Foi uma surpresa ter vindo para a apresentação!

Antes de aceitar você titubeou?
Não, porque tem o desafio, que me motivou muito. Gosto de fazer coisas novas, detesto me sentir acomodada. Além disso, o Jornal da Globo é um grande jornal, no qual é possível fazer um trabalho sério.

Dá frio na barriga na hora de entrar no ar?
Não, é necessário de se concentrar. Aquilo tem de sair bom, e o jornal envolve muitos riscos. Os cortes de câmera são complicados, a luz, as entradas ao vivo... Não é um passeio, não!

Já pintou algum tipo de comparação entre você e Lillian Witte Fibe?
Não.

Você tem ou teve algum ídolo dentro do jornalismo, alguém em quem se espelhar?
Tive e tenho, mas não vou citar nomes para não desmerecer outras pessoas de quem também gosto muito.

Qual foi o momento mais difícil de sua carreira?
Cobrir as CPIs. Por mais que esteja fazendo o seu trabalho, você sabe que aquilo envolve a vida de muitas pessoas. Toda vez que se faz uma denúncia no ar, há uma família por trás da pessoa denunciada, crianças que terão problemas na escola. É uma responsabilidade enorme, pois as acusações aparecem o tempo todo. É uma cobertura pesada. Na CPI do Orçamento, perdi quase 10 quilos. A viagem ao Afeganistão também foi complicada.

O Afeganistão foi a sua matéria mais marcante?
Não. Acredito que a matéria mais marcante é sempre a última que você fez.

Fale um pouco sobre a viagem.
Passei um ano negociando a autorização para entrar no país. Fiquei vinte dias lá. A produção dessa matéria foi muito bem feita! Estudamos o suficiente para termos a exata noção do que encontraríamos, pois não valia a pena sairmos machucados, presos ou até mesmo com o material da reportagem confiscado. Mas foi complicado! No começo, a gente dormia com as fitas amarradas na cintura. Depois, não dava mais para disfarçar o volume embaixo da roupa e passamos algumas para a mochila, que usávamos como travesseiro.

Qual a cena mais chocante?
Ver o garçom de um hotel decadente tentar manter a dignidade dentro de um uniforme totalmente puído. Com um guardanapo ensebado e velho, ele tentava trabalhar da melhor forma possível num país destruído, ganhando o equivalente a três dólares por mês, sem ter o que servir, pois quase não há comida. Aquilo me destruiu. Desabei, emocionada mesmo!

Como é se casar três vezes com o mesmo homem?
Eu e o Marcelo estamos juntos há treze anos. Nós nos casamos em 1989 e nos separamos em 1992. Depois, nos casamos de novo em 1993 e nos separamos em 1997. Agora, estamos juntos.

Não é complicado reatar a ligação duas vezes?
Não sei, porque sempre me casei com ele (risos). Não sei se separar e se casar com pessoas diferentes é mais complicado, ou menos, do que com uma única pessoa. Agora, o que isso demonstra é que, apesar de a relação passar períodos difíceis, há uma ligação forte entre a gente. Uma vez, um amigo me disse: “A história de vocês é bonita, porque o amor sempre vence”.

Ele também se mudou para São Paulo?
Nunca desmontamos a casa de Brasília – o Matheus, filho do Marcelo mora lá, e agora vamos ter uma casa aqui também. No momento, ele está entre São Paulo e Brasília, resolvendo algumas coisas. Mas, assim que montarmos uma casa direito, ele vem para cá.

Você é muita assediada?
Não.

Você tem uma teoria segundo a qual “uma mulher só ouve o que quer”. Pode explicar?
É verdade! A gente estabelece o tipo de relação que vai ter com uma pessoa nas primeiras conversas. Seja um amigo ou uma fonte de informação. Dali em diante, você só dá liberdade para ouvir o que quiser. As pessoas não têm coragem de dizer coisas se não sentirem abertura. O problema é achar o tom, para não se tornar distante demais.

Adaptar-se de novo ao Brasil vai ser difícil?
Venho de um ano em Londres e de um ano e meio em Nova York. Mas vou morar em São Paulo, que é uma grande cidade. Além disso, voltei por um motivo bem interessante.

Como é a sua rotina diária?
Rá! Qual rotina? Eu chego na Globo por volta das 12h e saio à meia-noite e meia, por aí.

E como garante o físico? Fazendo malhação...?
Desde que parei o balé, não fiz mais absolutamente nada.

Qual o milagre da sua boa forma?
Só almoço. É a única refeição que faço por dia, depois não dá tempo. Antigamente, só jantava. Agora, inverti.

De qual tipo de vaidade você não abre mão?
De tirar a maquiagem todas as noites e passar creme no rosto. Sempre faço isso, por mais cansada que esteja.

O que curte fazer nas poucas horas que lhe sobram fora do estúdio?
Adoro cinema, mas não tenho tido tempo. Também curto ficar em casa lendo, vendo um bom filme, ouvindo uma boa música... Festa, só se for de amigos. Enfim, sou caseira. Gosto muito de cozinhar, mas ainda estou morando em um apart-hotel. Cheguei ao Brasil há apenas um mês, trazendo só uma mala de roupas. Minha mudança ainda está chegando e, no momento, estou alugando um apartamento na Vila Nova Conceição.

Você pensa em ter filhos?
Quero ter filhos, sim! Acho que a natureza ainda vai me dar alguns anos, não estou no deadline. Não é um plano imediato, mas um dia... Ah, se todo mundo consegue conciliar filhos com uma carreira corrida, por que eu não vou conseguir?

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