

Ex-correspondentes de guerra travam uma batalha particular nos telejornais do início da madrugada; Globo leva vantagem por volta da meia-noite
CAMPEÃO de audiência em seu horário -oficialmente às 23h30-, o "Jornal da Globo", apresentado pela jornalista e ex-correspondente de guerra Ana Paula Padrão, 37, acaba de ganhar mais dois concorrentes de olho em um público que é, majoritariamente, formado por mulheres.
O "Jornal da Record - 2ª Edição" e o "Jornal da Noite" (Band), apresentados por Paulo Henrique Amorim, 60, e Roberto Cabrini, 42, respectivamente, querem o segundo lugar no ranking do Ibope, que hoje pertence ao "Jornal do SBT", capitaneado por Hermano Henning, 57.
Na bagagem, os concorrentes de Ana Paula chegam com experiência similar -todos já passaram pela TV Globo e cobriram guerras. Agora, tentam fazer da inovação do formato sua maior arma em busca da audiência.
Na Globo, manter a audiência significa se preocupar com todos os tipos de público, oferecer informações exclusivas e, sobretudo, dar ao jornal um perfil analítico "para que não caia na solução fácil de ser um repeteco das notícias do dia", diz Padrão.
Séries de reportagens sobre assuntos de grande interesse no Brasil também são o foco do "Jornal da Globo", que, em breve, vai orientar os empreendendores sobre questões ligadas à micro-empresa.
Crescente no horário, o público feminino não pode ser esquecido. "Eu mesma pretendo realizar uma série sobre a nova mulher brasileira: o que ela quer, que caminhos trilhou no mercado de trabalho, e por que muitas ainda estão infelizes e com dificuldades no universo emocional", diz a jornalista.
A preocupação com as mulheres é flagrante no horário. Na última terça-feira, por exemplo, o "Jornal da Noite" exibiu reportagem sobre métodos anticoncepcionais. No "Jornal da Record", o assunto foi a violência contra a mulher. No informativo do SBT, o tema feminino foi a cartunista argentina Maitena Burundena, que concluiu que todas as mulheres são iguais. A julgar pelas pautas, talvez...
Guerra
Ana Paula Padrão, que também enfrentou o perigo e se arriscou em Kosovo, sintetiza o espírito dos âncoras que saíram dos campos de guerra: "Persigo a informação exclusiva, o furo, missão de todo repórter, que é o que eu me orgulho de ser".