02/04/2003

"Como doces pra caramba e sou chocólatra”.
Ana Paula Padrão, apresentadora do Jornal da Globo, em entrevista à revista Nova, que chega às bancas na próxima sexta-feira

Ana em entrevista a revista Nova deste mês.

Padrão de Mulher

Ministros, empresários, políticos e até presidentes já foram alvo de entrevistas exclusivas da jornalista Ana Paula padrão. A bela e competentíssima âncora do Jornal da Globo. NOVA resolveu virar o jogo e tirar dela tintin por tintin, todo que a gente sempre quis saber sobre seu trabalho, seus amores, sua beleza, seus sonhos... O resultado, claro, rendeu maior ibope!

Plantão de notícias: Ana Paula Padrão nas ruas de São Paulo.
De salta alta, calça reta preta, jaqueta jeans e óculos de grife, a jornalista Ana Paula Padrão, de 37 anos, chega a pé para o almoço marcado num pequeno restaurante da Vila Nova Conceição, elegante bairro da capital paulista onde mora. Simpática, a apresentadora do Jornal da Globo aceitou o nosso desafio: passar de entrevistadora a entrevistada e entregar o outro sobre a própria vida. Para acompanhar o papo, que durou quase das horas, ela pediu salada de cogumelos e suco natural de tangerina. De sobremesa, manga fatiada. Mas saboroso mesmo foi ouvir as histórias que Ana Paula tem para contar.

A seguir: Como ela trocou as sapatilhas pelo microfone.
Nascida em Brasília, a mais velha e única mulher entre os três filhos de um casal mineiro, que se conheceu e casou na capital do país, conta ter sido uma criança tímida. Nem imaginava se tornar estrela do jornalismo brasileiro. A bem da verdade, houve época em que seu sonho era ser bailarina. Aos 6 anos, calçaram os sapatinhos para ensaiar os primeiros passas e seguiu firme na ponta dos pés por mais de uma década. "Eu me dedicava pra valer", recorda. Mas o que ela denomina de "ambição intelectual" a fez trocar de rota. "O regime de exercícios é espartano, é vida de atleta mesmo. E eu queria viajar, estudar, ler”.
As sapatilhas acabaram definitivamente penduradas quando ela já cursava jornalismo na Universidade de Brasília. Escolheu a carreira na hora de se inscrever no vestibular, movida basicamente por ilusões. "Para mim, o curso tinha aquela aura das pessoas independentes e cultas", afirma. "Pequena, eu assistia ao seriado Mary Tyler Moore e adorava: a personagem trabalhava numa emissora em Nova York. Achava o máximo. Só depois a gente descobre que não é bem assim, há pouco glamour e muito sacrifício envolvido na profissão”.

Você não pode perder: O salto que levou a jornalista à tevê
Ana Paula não cogitava trabalhar na televisão. Pensava conseguir uma vaga num jornal diário depois de formada. Antes arranjou um estágio - que virou emprego - na Rádio Nacional, em Brasília. Ao mesmo tempo, escrevia sobre economia para a extinta revista Senhor. "O diretor de lá, já falecido, sempre dizia: 'Você tem um rosto bem e uma voz boa. Tenta a televisão'“.No fim de 1986, ano da formatura, a moça foi levada pelo insistente diretor para um teste na afiliada da Rede Manchete em Brasília. Acabou contratada. "Fiquei três meses e, em março, a Globo me chamou”.Sorte de Ana Paula, que se apaixonou pelo veículo e há 16 anos está no mesmo emprego. Na emissora, já fez de cobertura locar a Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo, Globo Repórter e Jornal Nacional. "Sempre pendi mais para a área de economia", diz ela, que chegou a ser comentarista da área.

Em instantes: Ela tem ousadia ara aproveitar as oportunidades.
A jornalista estava às voltas com as notícias econômicas quando, em 1997, recebeu o convite para ser correspondente no exterior. Ana Paula deixou Brasília pela primeira vez e se instalou em Londres, depois em Nova York. "Isso abriu o leque da minha carreira, porque as sucursais fora do país são pequenas e a gente tem de fazer tudo. Descobri um mundo novo”.Em seus três anos de correspondente, realizou reportagens na África, na Europa, nos Estados Unidos, nos quatro cantos do mundo.
O convite para assumir o Jornal da Globo, no lugar de Lílian Witte Fibe, a pegou de surpresa. "No começo, fiquei contrariada. Tinha uma vida maravilhosa fora do Brasil”.Mas o desafio estava alo, piscando para ela, impossível ignorar. "Aceitei impondo como condição concluir um projeto de reportagem no Afeganistão”.Assim foi feito. Ana Paula embarcou livre de preconceitos. "Vi mulheres usando a burca porque queriam, não por imposição, enquanto a gente se sentiria ultrajada de pôr aquela coisa cobrindo o corpo todo”.Na volta, em agosto de 2000, se tornou a todo-poderosa do Jornal da Globo.
A viagem ao Afeganistão teve lances de aventura. Depois de um ano e meio de preparo, Ana Paula e sua equipe não cumpriram todas as determinações das autoridades talibãs e filmaram com microcâmeras escondidas, sendo uma em forma de botão de roupa. Quando perceberam que já geravam desconfianças, entregaram duas fitas não comprometedoras e saíram fugidos de Cabul, atravessando o deserto em três dias e duas noites, para sair do país. Não foi a única vez que ela fez loucuras por uma boa matéria. Em 1999, na segunda vez em que fez reportagem em Kosovo, na ex-Iugoslávia, ultrapassou a área considerada segura e se embrenhou por estradinhas secundárias para obter imagens exclusivas. Seu mais recente desafio? Cobrir, do Brasil a guerra entre Estados Unidos e Iraque. "Por estar longe do campo de batalha, tenho uma visão mais ampla do que se estivesse lá e não corro risco físico. Porém, a tensão é a mesma. No dia 19 de março, que marcou o início do conflito, prendi a respiração esperando o primeiro disparo, passei quatro horas ininterruptas no ar", conta.

Nossa repórter revela: No fundo, ela é uma manteiga-derretida!
Nem pense que o trabalho da jornalista é sentar diante das câmeras para apenas ler notícias. Quando chega à redação, por volta das 3 da tarde, Ana Paula participa da produção do jornal e às vezes vai para a rua fazer reportagens. Ela cobriu, por exemplo, a posse do presidente Lula. Profissional experiente, hoje mostra uma imagem tranqüila. "No começo, eu tremia", admite. A atual segurança, porém, não a ajuda a controlar a emoção sempre. "Estou ficando mais manteiga-derretida. Outro dia, a história de um menino retirado dos escombros durante uma enchente em Minas quase me fez desmoronar. Ainda bem que um repórter entrou falando ao vivo. Tive tempo de me recuperar”.

Neste Bloco: Beleza é mesmo fundamental?
"Sempre fui valorizada na profissão pela minha capacidade de trabalho, não pela minha aparência", diz Ana Paula, destruindo a tese de que seu rosto bonito ajudou. "Trabalhei muito e, honestamente, não me considero uma mulher bonita. Linda é a Michelle Pfeifer”.A apresentadora, aliás, dá um conselho: "As mulheres têm de se preocupar com o espelho, sim, mas que isso não seja algo fundamental. Chega um momento em que a beleza acaba: A gente envelhece. Estou com 37 anos e já tenho flacidez e até uma ruguinhas", confessa. Não dá para notar os vincos na tela, e sim o cabelo liso e brilhante. "Tenho alguns fios brancos e acho que logo terei que pintá-los. Mas não sou vaidosa, sou só feminina”.
Trocando em miúdos, Ana Paula preserva o que recebeu da natureza, mas sem neuroses. Com 1,62 metro de altura e 48 quilos, não faz ginástica nem segue dieta rigorosa. "Como doces pra caramba e sou chocólatra”.A sorte é que a jornalista tem pouco apetite. Ainda bem: se a conservação, a ex-bailarina estaria em maus lençóis. "Já tentei tudo: hidroginástica, academia, caminhadas no parque. O esforço dura só dois meses e, depois, vai tudo por água abaixo”.Na gora de cuidar do rosto, a conversa muda de figura. "Tiro a maquiagem antes de dormir e passo um bom creme para a área dos olhos, além do hidratante”.As sobrancelhas escuras e marcantes estão sempre bem-feitas. "Duas vezes por semana, eu mesma tiro os pêlos que atrapalham”.E ela não abre mão do filtro solar. "Sou clarinha, minha produção de melanina é baixa. Se pego um sol forte, como o do meio-dia, a queimadura é igual à do ferro de passar. Dá bolha e tudo”.

Exclusivo: Longe da telinha, a bela usa óculos!
Na tevê ninguém vai ver, porque a âncora usa lentes de contato. Quando sai do ar, Ana Paula se livra delas e saca dos óculos. "Antes eu ainda conseguia enxergar. Porém, a miopia piorou, mas a minha imagem já estava fixada sem óculos”.Quer dizer, as pessoas estranhariam a sua transformação. Fã da dobradinha calça comprida e camisa, Ana Paula não é consumista. Só não resiste a um par de sapatos novos. "Mas não sou nenhuma Imelda Marcos", diz ela, referindo-se à viúva do ex-ditador das Filipinas Ferdinand Marcos, famosa por sua coleção de calçados. O que a faz ficar aflita, no entanto, é perder uma boa liquidação. "Adoro tirar a limpo, acho divertido”.

Confira: Como um encontro profissional acabou em casamento.
Suas duas primeiras uniões foram com o mesmo homem, o jornalista Marcelo Neto, 15 anos mais velho que ela, com quem se casou em 1989. Dois anos depois, veio à separação, mas o afastamento durou pouco: em 1993, estavam juntos novamente. Quatro anos depois, porém, o divórcio se tornou inevitável. "Ainda assim, passamos por mais algumas reconciliações", confidencia. Só não chegaram a dividir o mesmo teto outra vez porque Ana Paula já morava no exterior.
De volta ao Brasil, o destino colocou em seu caminho o executivo e consultor financeiro Walter Mundell, de 48 anos. O casamento ocorreu em setembro. O primeiro encontro não teve nada de romântico: os dois se conheceram trabalhando. Empenhada em entender melhor os meandros da economia paulistana, Ana Paula aceitou um convite para almoçar em trocar idéias com feras da área financeira. Mundell estava lá. "Meses mais tarde, a gente se reencontrou numa outra situação de trabalho e começamos a namorar”.
O clima ainda é de lua de mel e o casal se esforça para que tudo continue às mil maravilhas. "O principal obstáculo é o excesso de trabalho”.A saída de ambos: estabelecer um pacto de convivência. "Uma vez por semana, almoçamos juntos, haja o que houver", explica. "Quando o jornal acaba mais cedo, ele fica acordado e me espera em casa. Quando dou plantão no Rio de Janeiro no fim de semana, o Walter vai comigo. Se ele precisa viajar numa sexta-feira, tento ir ao encontro dele no sábado”.Tantas atenções mútuas garantem o sucesso da vida a dois. "Você não pode abandonar a relação, ou ela desmorona", analisa.

Notícia de última hora: Agora ela quer ser mãe!
O projeto da gravidez foi adiado infinitas vezes, ora porque "a situação profissional não era a ideal", ora porque não se sentia preparada. Por algum tempo, ela viveu a angústia de toda mulher que adia a maternidade. "Chegou um momento em que pensei: nem sei mais se vou ter filhos, se vai dar tempo”.O atual casamento a fez mudar de idéia. "O desejo de ser mãe está muito ligado ao encontro de um parceiro que a motive, alguém para quem você olhe e diga: 'Puxa, esse homem vai ser um pai legal'. Mas não estou provocando. Se acontecer, o filho será bem-vindo”.Essa, com certeza, será uma das notícias que ela terá o maior prazer de dar na vida.

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