05/03/2005

Chat com Ana Paula Padrão
No Dia Internacional da Mulher às 17:00h a jornalista e apresentadora do Jornal da Globo comenta as diferentes realidades femininas no mundo e a luta por igualdade. No site globo.com/psiu. Não perca!

Bovespa comemora Dia Internacional da Mulher com palestra de Ana Paula Padrão
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) convida a imprensa para a palestra "Revolução Feminina", que será realizada pela jornalista Ana Paula Padrão, em almoço comemorativo ao Dia Internacional da Mulher, na próxima segunda-feira (07/03), a partir das 12h30. Participam do evento o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, executivas do mercado, integrantes dos clubes de ações femininos e as conselheiras do programa "Mulheres em Ação".

As melhores jornalistas de 2004 (enquete feita pela Revista Imprensa)

Ana Paula Padrão, Daniela Falcão e Lúcia Hippólito.

Ana Paula Padrão entre a Bahia e o horário nobre


O estúdio ainda estava sendo preparado quando Ana Paula Padrão chegou pontualmente, às 11h da manhã. Naquela sexta-feira, uma equipe de fotógrafos, produtores, estagiários e repórteres recebeu as três melhores jornalistas de 2004, eleitas pela IMPRENSA, para preparar a grande foto da capa da edição de março. Além de Ana Paula, também posaram para as lentes de Beto Lima, Adolfo Vargas e Airton Suzuki as jornalistas Daniela Falcão, diretora das revistas TRIP e TPM, e Lúcia Hippólito, da CBN. Entre um cafezinho e outro, antes dos flashes, Ana Paula conversou com Portal IMPRENSA, quando falou sobre sua rotina notívaga e a obra que é menina dos seus olhos: uma bela casa no litoral da Bahia.

Ontem, depois que você disse boa noite, lá pela 1h da madrugada, eu desliguei a TV e fui dormir. Enquanto isso, você ainda foi para casa, tomou banho, jantou...E cá estamos, às 11h da manhã, de pé, para as fotos. Que horas você vai para a cama?
Ana Paula: (risos) Ver [o Jornal da Globo] da caminha é fácil, né...Ontem até que cheguei rápido. Lá pelas 2 e pouco já estava em casa, indo dormir. Mas nem sempre é assim. Tem dia que chego depois das três, como na noite da eleição da Câmara.

Não deve ser fácil sair do trabalho tão tarde. Você consegue dormir logo, ou fica fritando na cama?
Ana Paula: Quando comecei a apresentar o "Jornal da Globo" eu não conseguia chegar e dormir. Até tentava ir para cama logo, mas ficava lá, olhando para o teto. Depois fui me acostumando. Hoje nem ligo a TV, nem acesso a Internet, nada. Chego e vou para a cama. Se não fizer isso, acabo ficando acordada até de manhã. Antes eu acordava meio-dia e não tinha tempo para nada, já que às 14:00h tenho de estar na Globo para a primeira reunião.

E hoje, que horas você acorda?
Ana Paula: Entre 9h e 9h30. Mesmo assim a manhã passa voando. Vou cuidar da piscina, olhar e-mail, ligar para a Bahia para ver as coisas da obra...Depois, almoço com alguma fonte, resolvo um probleminha aqui, outro ali e pronto, já deu a hora de ir para a Globo. Já chego lá cansada (risadas)

Casa na Bahia...
Ana Paula: É, estou construindo uma casa lá. Amanhã (sábado), às 7h30 pego um avião e vou para lá. Tenho ido pelo menos uma vez por mês.

As séries de reportagens que você costuma fazer, como o especial sobre mulheres apresentado em 2004, são idéias suas ou partem da produção do Jornal da Globo?
Ana Paula: Todas foram idéias minhas. Eu penso a pauta, tem de ser alguma coisa interessante e factível, faço o projeto e tento vender para a direção de jornalismo. Tem dado certo, eles têm aceitado as idéias...

Você sente necessidade às vezes de sair de trás da bancada e ir para a rua, de se aventurar, como no caso do Afeganistão: uma mulher na terra dos Talebãs?
Ana Paula: É, a reportagem corre nas veias. Mas no caso do Afeganistão até que foi fácil fazer as reportagens. O difícil foi o visto. Ficamos dois anos negociando esse visto. Mas o fato de ser mulher até ajudou porque, para fazer o especial - Mulheres no mundo - no Afeganistão, eu fui a lugares em que os homens não podiam entrar. Fui a escolas clandestinas para meninas, hospitais para mulheres etc. onde só entrei por ser mulher.

Qual momento profissional você destacaria como o seu melhor em 2004?
Ana Paula: Foi no Afeganistão. Fui cobrir um casamento arranjado. Como era proibida a entrada de homens, e o cinegrafista era homem, eu mesma fiz as imagens. A noivinha - ela devia ter uns 17 anos -, quando entrou na cerimônia, foi a pessoa mais triste que eu já vi em minha vida. Eu acredito que o dia do casamento seja o mais feliz na vida de uma mulher, mas ali era o contrário. E as imagens que fiz conseguiram passar essa tristeza pela TV. Na infelicidade daquela noivinha, retratei a tristeza de todas as mulheres afegãs.

Você acredita que as mulheres jornalistas ainda sofram algum tipo de preconceito - seja de tratamento ou relacionado a diferenças salariais?
Ana Paula: Não. Esse não é um mercado preconceituoso. É aquela história: quem não tem competência, não se estabelece, independente de ser mulher ou homem. Acho que já superamos essa discussão. Isso ficou lá nos anos 80.

No levantamento do número e dos cargos ocupados por homens e mulheres nas redações do país, feito por nossa equipe, descobrimos que a maioria dos cargos de chefia é ocupada por eles. Como você analisa isso?
Ana Paula: Será que as mulheres não ocupam tantos cargos de chefia quantos os homens por preconceito ou porque elas simplesmente não querem, porque elas estão buscando a qualidade de vida, tempo para a família, e para o lazer? Eu falo por experiência própria. Trabalho 14 horas por dia e quero encontrar o equilíbrio para fazer outras coisas, cuidar de casa etc.

Chat com a Ana no Dia Internacional da Mulher
Moderador fala para a platéia: Boa tarde! No Dia Internacional da Mulher, a jornalista e apresentadora do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão, comenta as diferentes realidades femininas no mundo e a luta por igualdade. Envie sua pergunta!
Ana Paula Padrão fala para a platéia: Boa tarde a todos os internautas!

Moderador apresenta a mensagem enviada por alinne: O que o Dia Internacional da Mulher significa para você?
Ana Paula Padrão responde para alinne: O Dia Internacional da Mulher é importante, não exatamente para as brasileiras, porque temos um grau razoável de oportunidade que o país dá. É um marco na luta de mulheres onde as oportunidades não existem, seja por opressão política, por questões ligadas ao fundamentalismo religioso, são mulheres que precisam de um dia para que o mundo pare para vê-las.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Deia: Olá Ana Paula, sou sua fã e feliz dia das mulheres. Acha que nos tempos de hoje a mulher ainda sofre muita discriminação no mercado de trabalho?
Ana Paula Padrão responde para Deia: Feliz Dia da Mulher. Isso está mudando muito. Os preconceitos caíram muito. A luta não é para entrar, é para conseguir um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Ela tem que se dedicar ao trabalho e a casa. A mulher que sustenta a própria família também não tem lazer. Temos que conquistar tempo.

Moderador apresenta a mensagem enviada por karina: As mulheres governam ou governaram poucos países, quase todos sem muito destaque no quadro internacional. Ainda falta interesse feminino pela política ou o eleitorado que é preconceituoso?
Ana Paula Padrão responde para karina: Acho que têm dois aspectos. Quando a mulher concorre, tem que largar a família é difícil se colocar em cargos importantes enquanto têm filhos, por exemplo. Até os anos 50, ficávamos em casa com a família, tem pouco tempo histórico que saímos à rua para trabalhar. Já tivemos presidentes na Índia, na Irlanda.

Moderador apresenta a mensagem enviada por ignes: Nas séries que você faz, sempre mostra pessoas muito interessantes, com histórias bacanas. Como as encontra?
Ana Paula Padrão responde para ignes: É o grande segredo do jornalismo! Se souber contar direito uma história, tudo fica lindo. Tem que saber escolher. Num país distante, todas as histórias ficam interessantes.

Moderador apresenta a mensagem enviada por larissa: Como está a situação das mulheres no Afeganistão? Tem vontade de voltar à Cabul?
Ana Paula Padrão responde para larissa: Fui ano passado, no fim de maio, foi a terceira vez. A situação continuava a mesma, infelizmente, as famílias são muito conservadoras e impedem muito o crescimento e a felicidade da mulher. Ainda vai demorar para a estrutura mudar. Elas têm que lutar para mudar a situação. Fiz uma matéria sobre as noivas tristes, nunca vi mulheres tão infelizes. Continuo acompanhando de longe. A maioria continua saindo de burca às ruas, elas têm medo de serem mal faladas, mal vistas. São poucas as que têm coragem de enfrentar a sociedade, existe um movimento. Depois da chegada do Taleban, a repressão aumentou muito, elas têm medo da reação das pessoas.

Moderador apresenta a mensagem enviada por MarianaRotili: A mulher brasileira fica mais tempo na escola e é maioria nas Universidades, então que justifica a diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo tipo de trabalho?
Ana Paula Padrão responde para MarianaRotili: Na hora de encontrar um trabalho a diferença é menor do que era antigamente. Muitas empresas ainda preferem contratar o homem porque sabem que a mulher pode engravidar, por exemplo. As empresas são resistentes a isso. É justo? Óbvio que não. Acontece, é nossa realidade e acho que quanto mais mulheres chegam a salários iguais ou melhores que os dos homens, mais mulheres elas arrastam atrás delas.

Moderador apresenta a mensagem enviada por janaina: Ano passado você fez uma série de reportagens sobre mulheres, tem algum plano de continuar explorando o tema? Que tal falar sobre as diferentes realidades das mulheres no Brasil?
Ana Paula Padrão responde para janaina: Acho a idéia maravilhosa, já tentei uma vez e pretendo fazer. Estou preparando uma série sobre o impacto dos últimos 40 anos na vida da mulher brasileira. Desde a chegada da pílula, tudo mudou na vida da brasileira. Estou fazendo uma série de entrevistas.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Guaraci_17: Qual é a sua opinião a respeito dos países que exigem a utilização de burcas, e estreitam qualquer relação de mulher e governo? Isso poderia ser mudado ou é um fato que as mulheres não aceitam mudanças, por estarem sendo contra uma religião?
Ana Paula Padrão responde para Guaraci_17: Respeito, por princípio, qualquer religião. Acho injusto a religião ser usada como manutenção de poder. Se a mulher, por vontade própria, não quer tirar a burca, temos que respeitar. Não devemos achar que todas as realidades devem ser como a nossa, mas não podemos aceitar que o Estado misture sua função com a função religiosa.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Fabricio: É válido os protestos tipo o que a mulher tirou a roupa na frente do Principe Charles hoje?
Ana Paula Padrão responde para Fabricio: Não foi um protesto pelo Dia Internacional da Mulher, parece que atrapalhou um serviço de mamografia que estava sendo feito naquela hora. Foi curioso.

Moderador apresenta a mensagem enviada por netinho: Óla Ana primeiramente feliz dia das mulheres admiro muito seu trabalho. Gostaria de saber se você já sofreu algum tipo de preconceito pela sua profissão? Responda-me!
Ana Paula Padrão responde para netinho: Comecei a trabalhar com jornalismo na década de 80. As redações estão cheias de mulheres, andava em ambientes com muitos homens e é muito da atitude individual, a pessoal estabelece o tipo de ligação.

Moderador apresenta a mensagem enviada por drico: Ana gostaria do seu olhar critico sobre o mundo e as mulheres e o Brasil e as mulheres, sendo que estamos em um mundo machista e violento. E também um olhar crítico sobre sua carreira, pois é uma carreira de sucesso.
Ana Paula Padrão responde para drico: De fato estamos, as delegacias de mulheres estão cheias de histórias tristes. Quando mais educado o povo, mais ele respeita o seu diferente. Os homens são diferentes das mulheres e vice-versa. O povo precisa ser educado, precisa de escola.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Mineiro: No dia internacional da mulher se eu fosse um gênio quais seriam seus três pedidos para atende-la como mulher, jornalista e brasileira?
Ana Paula Padrão responde para Mineiro: Vivo pensando nisso! Todo dia eu mudo de idéia. No que se refere às mulheres, acho que são tantas realidades diferentes, é difícil fazer um desejo só. As mulheres são as maiores vítimas da AIDS, das guerras, do tráfico de pessoas, da pobreza e da falta de educação. São muitas tragédias. O grande pedido talvez fosse dar independência para decidir. Isso já é grande coisa. Todos os dias agradeço por ter feito as minhas decisões.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Rodrigo: o que você diz sobre "Injustiça contra a mulher diminuiu pouco, diz a ONU”.
Ana Paula Padrão responde para Rodrigo: É a mais pura verdade. A mulher sofre mais numa região mais pobre porque é a responsável pela manutenção dos filhos. A mulher sempre é a maior vítima, ela precisa de mais proteção onde não consegue lutar sozinha. Assim como não conseguimos eliminar a fome, precisamos prestar atenção na condição das mulheres.

Moderador apresenta a mensagem enviada por HOMEMMODERNO: O que você acha da mulher moderna de hoje... que ajuda o marido a pagar as contas, muitas vezes paga sozinha... Você acha que as tendências que a sociedade impõe de que o homem tem que pagar a contas mudou?
Ana Paula Padrão responde para HOMEMMODERNO: Não só o homem teve que se acostumar com a mulher dividindo as despesas da casa, também estamos no ponto do homem assumir atividades antes femininas. Qual o problema do homem lavar a louça, limpar a casa, gostar de decoração? O mundo moderno não comporta essa diferença de papéis sociais. Já têm vários homens que fazem isso.

Moderador apresenta a mensagem enviada por oto: Em partes da Ásia atingidas pelo tsunami, muitas mulheres são vítimas de estupros e de outras formas de violência, enquanto os esforços de reconstrução são orientados pelas prioridades definidas pelos homens. Como você analisa esse fato?
Ana Paula Padrão responde para oto: Você tem toda razão. Estupro, tráfico de mulheres, isso tudo está acontecendo. Os bandidos se beneficiam da fragilidade feminina. É difícil agir num lugar onde há gente morrendo e passando fome. Se tiver uma pessoa ferida, você vai atendê-la. É uma tragédia da natureza, o que me dói é saber que em lugares onde há guerra, na África, acontecem coisas como essa e ninguém fala disso, ninguém comenta.

Moderador apresenta a mensagem enviada por mel_19: Ana, por que não escreve um livro sobre suas memórias de Cabul?
Ana Paula Padrão responde para mel_19: Tenho tanta vontade de fazer isso, não tenho tempo! Tenho vontade de escrever sobre o Afeganistão, sobre as mulheres no mundo. Quero fazer, já conversei com editoras.

Moderador apresenta a mensagem enviada por rosh: Imagino que deva ter sido difícil enfrentar o preconceito quando você fez as reportagens no Afeganistão. Qual foi a maior demonstração disso? Houve outros lugares em que você também sofreu isso?
Ana Paula Padrão responde para rosh: Foi mais fácil do que imaginava, só o visto que demorei 1 ano e meio para conseguir. Mas foi fácil, por ser mulher, entrar na casa das mulheres, porque elas são vítimas. Entrei em lugares clandestinos por ser mulher.

Moderador apresenta a mensagem enviada por jornalista: Nos telejornais a presença das mulheres é muito grande, talvez até maior que a dos homens. E por trás das câmeras, nas redações, o mesmo ocorre?
Ana Paula Padrão responde para jornalista: É a mesma coisa! As redações estão cheias de mulheres, no jornalismo impresso também. Grandes colunistas são mulheres, como a Miriam Leitão. O jornalismo se transformou numa profissão feminina!

Moderador apresenta a mensagem enviada por mel_19: O que você achou das mulheres poliândricas das montanhas do Himalaia? Você presenciou brigas entre os vários maridos de alguma mulher?
Ana Paula Padrão responde para mel_19: Eles vivem em paz, não têm brigas. Me surpreendeu, elas adoram ter vários maridos. Eles levam coisas pra casa, defendem a casa. Numa situação como aquela, em que é difícil viver, elas estão confortáveis.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Binho_Bahia: Boa tarde Ana Paula! Parabéns pelo dia Internacional da Mulher, principalmente você, que representa de maneiro MARAVILHOSA a mulher atual (capaz, independente, desbravadora) e, parabéns também, pela profissional que é!!!
Ana Paula Padrão responde para Binho_Bahia: Que lindo, muito obrigada! Fico feliz quando reconhecem meu trabalho.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Alexandre: Ana que mulher você tem como referência símbolo de mulher?
Ana Paula Padrão responde para Alexandre: Tantas! Admiro quem busca o equilíbrio. É muito difícil. A mulher tem que trabalhar muito porque não tem condição social ou porque tem que provar que é tão boa quanto os homens. Se uma mulher consegue equilibrar suas funções de mãe, de mulher, de profissional, é um exemplo.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Ednelson: Ana você acredita que vai demorar muito pra uma mulher ser eleita presidente da republica
Ana Paula Padrão responde para Ednelson: Acho! Infelizmente. Existem mulheres em condições, sim. O eleitor vai ter muita dúvida. Em termos de história, já andamos muito.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Guaraci_17: Parabéns pelo seu trabalho e pelo dia! Ontem na abertura do Jornal da Globo você disse que o Dia Internacional da Mulher era o dia de todas as mulheres reivindicarem seus direitos. Você tem algo para reivindicar a favor das mulheres do Brasil?
Ana Paula Padrão responde para Guaraci_17: É um dia para lembrarmos das mulheres que não têm as oportunidades que nós temos. No Brasil, em especial, precisamos de justiça social. A principal barreira é a falta de justiça social, se tivéssemos melhor distribuição de renda, poderíamos optar melhor.

Moderador apresenta a mensagem enviada por hugo_: Você já pensou em fazer uma matéria mostrando a situação das mulheres africanas?
Ana Paula Padrão responde para hugo_: Estive na África, em 2001 ou 2002, para fazer uma série de matérias, foi ao ar no Jornal Nacional, uma parte no Fantástico. Uma parte era dedicada às mulheres, mostrava a questão da dificuldade das etnias, mostrava o radicalismo religioso em alguns países, mulheres que são mutiladas ainda adolescentes. Foi chocante, se escrever um livro, pretendo falar mais disso.

Moderador apresenta a mensagem enviada por rosh: De todas as reportagens sobre mulheres que fez, qual a deixou mais chocada?
Ana Paula Padrão responde para rosh: São tantas realidades difíceis, mas as guerras foram demais. A mulher geralmente não é soldado, vê os homens morrerem na guerra. Normalmente ela não tem o que dar de comer aos filhos, a comida acaba. É um ser totalmente impotente. Ver uma mulher no seu limite e vê-la perder sua família é uma dor terrível. Outra foi ver as mulheres que preferem se matar a passar as humilhações impostas pela família do marido, pela própria família. Acompanhei um casamento arranjando, nunca vou esquecer o rosto daquela noiva. Nunca vi uma mulher tão triste! Ela estava tão profundamente triste, nunca vou esquecer. Aprendi a ver como a nossa vida é uma dádiva, sou mais humilde do que era antes de conhecer tudo isso. Dou muito mais valor ao que eu tenho em termos de construção intelectual e valores morais e éticos do que antes disso.

Ana Paula Padrão fala para a platéia: Adoro conversar pela internet, gostaria de fazer mais, se não faço é porque o fechamento do jornal toma muito tempo. Quero dizer que sinto um imenso orgulho e sou profundamente agradecida a todos vocês que me assistem. Não nasci jornalista, devo tudo o que construí a quem acha interessante o que faço. Quero agradecer essas mulheres que dão o melhor delas para construir coisas melhores. Agradeço muito!

Cozinha da mídia: Toledo & Associados informa que 73% das mulheres querem ser Ana Paula Padrão
Ana Paula Padrão foi a grande estrela nas comemorações do dia internacional da mulher. Depois de ser eleita a melhor jornalista de TV de 2004 pela revista IMPRENSA, com direito a premiação, homenagem e capa, a musa do Jornal da Globo foi tema de uma pesquisa realizada pelo Instituto Toledo e Associados, a pedido da Revista "Flash". As entrevistadas responderam a seguinte pergunta: se você pudesse trocar de lugar com uma destas mulheres - Gisele Bundchen, Solange Frazão ou Ana Paula Padrão, qual seria a escolhida? O resultado foi uma lavada: 73% das entrevistadas afirmou que gostaria de ser Ana Paula Padrão. Fonte: Portal Imprensa

IMPRENSA homenageia as rainhas das redações
No Dia Internacional da Mulher, a revista IMPRENSA premiou as melhores jornalistas de 2004, segundo pesquisa popular
A revista IMPRENSA promoveu uma grande homenagem às mulheres no Dia Internacional da Mulher, com um almoço realizado no Bar Brahma. No evento, as melhores jornalistas de 2004, eleitas por meio de uma pesquisa realizada pelo Portal IMPRENSA, receberam um troféu, desenhado pela escultora Laura Andreatto.
Estiveram presentes no almoço mais de 100 jornalistas, de todos os lados do balcão, desde as redações de rádio, tv, jornais e revistas, até assessores de imprensa e representantes da comunicação empresarial.
As grandes estrelas do evento foram às jornalistas Ana Paula Padrão e Lúcia Hippolito, vencedoras das categorias TV e Rádio, respectivamente. Lúcia, ao receber seu troféu, garantiu ser um orgulho para alguém que começou a vida no meio acadêmico, ser eleita através de um júri popular. "Estou muito orgulhosa de ter recebido este prêmio. Não esperava que fosse vencer e me sinto satisfeita porque agora estou migrando de uma vez por todas para as redações", disse a cientista política, que voltou aos bancos universitários cursando jornalismo.
A apresentadora do "Jornal da Globo", Ana Paula Padrão, também falou sobre a escolha do público. "Cheguei muito além do que um dia sonhei em chegar. Pode não parecer, mas o que me faz prestar muita atenção para não errar, é minha insegurança. Estou muito feliz e muito orgulhosa por ter conquistado este prêmio", garantiu a jornalista.
O almoço em homenagem às mulheres foi organizado pela ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e Maxpress, parceiros da revista IMPRENSA durante toda a realização da pesquisa. Abaixo, acompanhe imagens do evento.


Almoço realizado pela revista Imprensa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher


Paulo Nassar (presidente-executivo da ABERJE) entrega o prêmio à Lúcia Hippólito (CBN), vencedora na categoria rádio do prêmio Imprensa Mulher 2004


Pedro Venceslau (editor executivo da revista Imprensa) Paulo Nassar e Lúcia Hippólito fazendo discurso de agradecimento


Pedro Venceslau e Décio Paes Manso (sócio-diretor da Maxpress) entregam o prêmio à Ana Paula Padrão (Rede Globo) eleita melhor jornalista de 2004 na categoria Televisão.



Pedro Venceslau, Décio Paes Manso e Ana Paula Padrão fazendo discurso de agradecimento
Lúcia Hippólito e Ana Paula Padrão


Décio Paes Manso, Lúcia Hippólito, Ana Paula Padrão e Thales Vinícius Toffoli (sócio-diretor da Maxpress)




Marilú Cabañas (rádio Cultura) Soninha Francine (Comentarista da ESPN Brasil e Vereadora da Câmara Municipal de S. Paulo), Ana Paula Padrão e Lúcia Hippólito
Fonte: Portal Imprensa

Se quiserem ouvir o agradecimento da Ana pelo prêmio acessem este site.

13/03/2005

Amanhã e terça a Ana não apresentará o Jornal da Globo, porque ela estará fazendo matérias para o jornal, ela volta na quarta.

Memórias da sala de aula
O Canal Futura estréia no próximo dia 28, Tempos de Escola, sobre recordações da época, como a professora preferida e os colegas de turma. O programa irá ao ar toda segunda-feira, às 16h30, com reprises as quintas, às 22h30. Em cada edição, o apresentador Serginho Groisman conversa com uma celebridade sobre o tema. Além da entrevista, serão mostradas fotos da época em que o convidado estudou e depoimentos-surpresa de professores e colegas de turma. Giulia Gam participa da estréia. Mariana Ximenes, Ana Paula Padrão, Arnaldo Antunes e Rubinho Barrichelo são alguns nomes das edições seguintes.

Ana Paula Padrão gostaria de passar menos tempo na Globo
Ana Paula Padrão admite que gostaria de ter mais tempo para ela e o maridão. Isso porque a jornalista passa cerca de 12 horas trabalhando antes de apresentar o “Jornal da Globo”. Ana Paula revelou que logo que acorda já tem de ler todos os jornais para ficar por dentro das notícias do dia. Em seguida, vai para internet para ver se aconteceu mais alguma coisa de relevância.
Fonte: Portal do Leão Lobo

20/03/2005

Ana Paula Padrão: muito além da notícia
A jornalista ocupa um dos postos mais cobiçados do jornalismo brasileiro e, aos 39 anos, decidiu que, além das 14 horas diárias de trabalho, quer ter mais tempo para almoçar com o marido, cozinhar e construir uma casa de praia na Bahia.

CHEFE
Como editora-executiva do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão discute as pautas que irão ao ar e também faz reportagens.

Com o biótipo mignon, fala rápida e sorriso fácil, Ana Paula Padrão em nada lembra a compenetrada apresentadora e editora-executiva do Jornal da Globo. “Pode colocar minha bolsa no chão mesmo. Se acreditasse nessas superstições...”, diz para a assessora da emissora que acompanha a sessão de fotos. Com um atraso de 45 minutos, ela chega esbaforida. “Desculpa, levei um chá de cadeira de 40 minutos para fazer uma entrevista”, diz ela. São os ossos do ofício mesmo para quem ocupa um dos mais cobiçados postos do jornalismo brasileiro. O glamour da profissão só aparece nos filmes. “Esse é o pior dos enganos”, diz.

CARA DE BRAVA
Ana Paula Padrão tem fama de brava, mas a imagem de “máquina mortífera” cai por terra quando ela atende o telefone celular com toque de sininhos durante a entrevista: “Oi amooooor”.É o marido, Walter Brasil Mundell, 51. “Grande, vamos tentar almoçar”. Grande é como ela chama o marido, executivo do mercado financeiro. Eles tentam combinar um almoço, as agendas estão complicadas, rotina para quem como ela facilmente tem jornadas de 14 horas de trabalho. Vida doméstica, mercado de trabalho, ter ou não ter filhos, jornalismo. Ana Paula fala de tudo sem hesitar.

Você gosta de dar entrevistas?
Não, sou tímida, tenho muita dificuldade de falar de mim até para o analista.

Você faz análise há muito tempo?
Fiz durante um tempo, interrompi, depois voltei. Faço análise toda vez que acho que não estou conseguindo responder a perguntas que faço para mim mesma. E acho que é como estudar qualquer coisa, a gente estuda arte, história, por que não estudar você mesmo?

A análise mudou a sua vida?
Não é uma perspectiva de mudança, é entendimento. Fazendo análise eu percebi o quanto eu criei mecanismos para driblar a minha timidez.

É contraditório ser tímida e estar diante das câmeras...
(risos) Não é tão raro. As pessoas tímidas têm que vencer tanto as próprias barreiras que se tornam pessoas muito fortes. Eu sou uma pessoa muito forte. Não tenho nada de frágil.

FÃS
Ana Paula encontra a apresentadora Ana Maria Braga nos corredores da TV Globo.
Ser forte não intimida as pessoas?
Talvez, mas acho que o fato de parecer brava intimida mais. A minha vida inteira ouvi que tinha cara de brava (risos).

Aqui você não parece brava, mas na tela sim.
Sempre tratei de assuntos muito duros na TV. Se eu tivesse escolhido uma área menos árida, como esporte ou artes, talvez não tivesse uma cara tão brava no vídeo. Se você perguntar ao meu marido, ele vai dizer que sou de fato um pouquinho brava. Mas sou bem-humorada. (O telefone celular de Ana toca com sons de sininhos).

Era o Walter?
Era. A gente fala bastante por telefone, a gente não se vê muito, infelizmente (diz fazendo biquinho com os lábios). Ele trabalha no mercado financeiro, acorda muito cedo. Agora são 18h20 e ele já chegou em casa (ela não sai da TV Globo antes da 1h da manhã). A gente tenta almoçar juntos, se encontrar algumas vezes por semana, mas nem sempre dá. Esta semana não conseguimos almoçar juntos nenhum dia. Hoje já é quinta-feira, amanhã tenho um almoço de trabalho, vou vê-lo na madrugada da sexta-feira. Não por muito tempo, porque no sábado estou de plantão e tenho que ir ao Rio.

E todo mundo pensa que é só glamour...
Esse é o pior dos enganos com relação ao jornalismo. Na época que eu comecei, a gente escolhia essa profissão porque havia a ausência total de glamour.

E como você concilia profissão e vida doméstica?
Não conheço ninguém que não esteja desejando ter mais tempo. Acho que a gente chegou a um limite de pressão. Uma família não é capaz de criar um filho direito se o pai e a mãe trabalham 14 horas por dia. É impossível, você vai ter uma sociedade deformada daqui a pouco.

E como você encara o lazer?
Nunca pensei em lazer, você acredita nisso? Sou uma legítima representante dos anos 80, quando as mulheres entravam no mercado de trabalho e tinham que trabalhar como homens.

Se você tem tão pouco tempo para o lazer, por que está construindo uma casa de praia na Bahia?
Todo dia eu penso nisso: vou ter que sair daqui no sábado de manhã e voltar correndo no domingo à noite. Mas em algum momento eu vou ter que encaixar mais tempo na minha rotina.

BREAK
Depois de uma reunião com os editores do jornal às 19h, Ana Paula faz uma pausa para o lanche.
Você quer ter filhos?
Isso não é uma coisa que está fora dos meus planos, mas não posso dizer que isso vá acontecer comigo. Tenho 39 anos.

E inseminação artificial?
Se você conversar com qualquer médico sério, ele vai dizer que a queda na fertilidade após os 35 anos é dramática. Sou muito feliz no meu casamento, não dependo de filhos para ser uma mulher feliz.

Não há nenhuma frustração em não ter tido filhos?
Se vierem, ótimo. Isso é da vida, não comando esse processo. Não vou sofrer por algo que está fora do meu controle. Quero tempo para ler mais, para mexer com coisas mais lúdicas. Acho que, como a gente trabalha muito intelectualmente, sente falta de uma atividade mais ligada aos sentidos. Estou desenvolvendo uma coleção de roupa de cama com uma amiga.

Você cobriria a guerra do Iraque hoje?
Repórter bom é repórter vivo com matéria no ar. Eu não iria ao Iraque hoje e não mandaria nenhum repórter. Os jornalistas tinham uma espécie de couraça protetora por ser da imprensa, e isso acabou.

O que você acha do aumento da cobertura jornalística de celebridades?
Se você preserva a sua vida pessoal, as pessoas têm menos curiosidade para saber o que acontece nela do que se você usa a sua vida pessoal para se promover. Quem usa a mídia para ter seus 15 minutos de fama vai ter que mostrar sempre.

E o Chico Buarque flagrado na praia?
Se você quer fazer coisas e não quer que ninguém saiba, não as faça em um lugar público.

Você cozinha?
Adoro cozinhar, faço um risoto ótimo.

Você declarou que foi de uma geração que experimentou de tudo, mas nunca cedeu à tentação da falta de ética. Esse experimento inclui drogas?
Droga nunca fez a minha cabeça, gosto de estar no controle, e para estar pilotando é preciso estar consciente.
Fonte: Revista Quem

A Ana não apresentará o Jornal da Globo esta semana, ela está de férias. Volta no dia 28/03, em seu lugar estará o Chico Pinheiro.

Ana no Multishow
Nesta segunda (21/03) a Ana estará no Multishow no programa Revista Bastidores estará revelando os bastidores do Jornal da Globo com Fábio Judice. Ana Paula Padrão revela todo o esquema de produção de notícias do telejornal para você e mostra como é a preparação de um programa que vai ao ar na madrugada.
Clique aqui e veja o Fábio conversando com a Ana por três minutos.

25/03/2005

Não são apenas as cariocas que participaram do livro Mulheres Fora de Cena, que o produtor Cacau Higino e a fotógrafa Vera Donato lançam em maio, pela Editora Globo. Semana passada, deram depoimento e posaram para fotos as paulistas Regina Duarte (foto), Maria Adelaide Amaral, Ana Paula Padrão, Ana Maria Braga e Laura Wie.
Fonte: O dia

27/03/2005

Que bom!
Amanhã a Ana estará de volta ao Jornal da Globo.

Ana Paula em entrevista ao Amaury Jr na festa da Revista Imprensa

Você está acostumada a receber prêmios, não é?
Ana Paula: Imagina, receber prêmios é sempre bom, principalmente um prêmio como esse da Revista Imprensa que é uma revista lida, assinada, enfim, prêmio pelos jornalistas.

Prêmio libado.
Então, receber prêmio de coleguinha é muito bom, porque coleguinha é muito crítico, jornalista é sempre crítico em geral e a gente receber um prêmio de outro jornalista é um mérito concedido por um colega que sabe que a profissão é difícil, que sabe como é difícil colocar um produto de qualidade no ar, então é uma honraria ainda maior.

Que faz uma avaliação até mais criteriosa que o próprio público.
Eu não sei se mais criteriosa, mas certamente mais crítica, porque jornalista é mais “cri cri” e está acostumado com o universo do jornalismo, e sabe o quanto é difícil fazer jornalismo, né?

Você sabe o reconhecimento nacional, o quanto às pessoas admiram a tua postura como uma apresentadora de scroll, como a jornalista muito atenta a todos os detalhes, precisa não é? E eles não conhecem muito de você, até porque você é meio arredia as conversas desse tipo. Você nasceu onde?
Eu nasci em Brasília, eu sou uma candanguinha.

Você começou a fazer coisas menores na imprensa?
Eu comecei a fazer rádio, rádio nacional em Brasília, eu fiz rádio durante um ano e pouco, depois trabalhei muito rapidamente em uma TV local em Brasília.

Como apresentadora de jornal?
Não, não como repórter de rua, eu fui repórter muitos anos, a minha carreira é uma carreira de repórter. Fui para a Globo em 1987, que me viu nessa TV e me contratou como repórter local e fiz uma enorme carreira na reportagem cobrindo delegacia de polícia, buraco de rua, reformas administrativas locais, economia local isso me dá muito orgulho, porque eu acho que eu tenho uma carreira muito sólida, que é uma carreira na rua, uma carreira cobrindo as coisas onde elas estavam acontecendo e eu acho que isso da muita segurança ao jornalista.

O que te enriqueceu pra você desempenhar a sua função de hoje com muito mais tranqüilidade.
Exatamente, que é carreira normal, nos Estados Unidos, por exemplo, os grandes âncoras americanos já foram jornalistas de rua e fizeram toda uma carreira no jornalismo de rua antes de assumir uma bancada e eu acho se eu tenho uma segurança na bancada, hoje eu devo a minha carreira de repórter.

Ana Paula você chegou em uma posição especial, confortável, maior. Você tem aspirações? Você quer fazer outras coisas, por exemplo, você tem saudades de voltar as ruas e ter contato corpo a corpo com a notícia, com a fonte?
Olha eu continuo fazendo isso, faço muito isso ainda, eu estou sempre desenvolvendo projetos que me levem para fora da bancada, que me levem a fazer matérias, no ano passado eu consegui fazer uma série em vários paises diferentes no mundo mostrando várias realidades diferentes de mulheres no mundo, então eu faço sempre projetos pra continuar fazendo reportagens, que é a minha grande paixão na vida.

Você tem quantos anos de carreira?
Quase 20.

Então, você deve ter sofrido algum preconceito por ser mulher ao longo de sua vida, por que 20 anos as conquistas das mulheres foram paulatinas, não é? Falta muita coisa ainda, a gente está concluindo aqui. Que tipo de preconceito que você se recorda de ter sido alvo pelo fato de ser mulher?
Olha eu dei muita sorte, por que eu entrei no mercado de trabalho nos anos 80, que foi uma década que as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho no Brasil, então havia menos preconceito, as pessoas estavam se acostumando com aquela mulherada invadindo o mercado de trabalho, especialmente o jornalismo, que é um setor muito pouco preconceituoso. Você vê hoje que as redações estão todas cheias de mulheres, tem um monte de mulher colunista de economia, de política, enfim, então não é um meio muito preconceituoso. Agora eu tomava cuidado nunca usei saia curta, sempre andei de terninho, de calça comprida, para evitar que alguma coisa acontecesse, mesmo quando eu não era casada eu andava de aliança, porque aí você impõe uma barreirinha inicial.

Você é casada?
Eu sou casada, muito bem casada e feliz da vida.

Que é o?
O Walter.

Arrumavam fofocas, namoros inexistentes pra você.
Mas isso é normal, eu acho que mulher sozinha as pessoas ficam tentando casar, tentando arrumar namorado, até porque as pessoas querem ver a gente feliz, e a gente fica mais feliz a dois mesmo do que separado, né? Mas, enfim estou super feliz com o meu casamento.

Tem filhos?
Não tenho.

Pretende tê-los?
Se eles vierem, né? Eu já não sou mais uma menininha, pra mim já não é tão fácil, tenho 39 vou fazer 40 anos.

Tem mulheres tendo filhos com 70 anos.
É verdade, a medicina evoluiu muito.

Você deve ter dado essa notícia?
É verdade, tem mulheres que enfim, graças aos avanços da medicina reprodutiva estão tendo filhos com muito mais idade, mas de qualquer maneira são gravidez de risco, se vierem serão bem vindos.

Qual foi o escorregão que você cometeu no ar? Você está ao vivo, não é?
Sempre ao vivo, fazer ao vivo não é fácil aconteceu foi, tem que se corrigir.

Qual foi a situação que te causou mais desconforto?
Olha na verdade eu nunca dei uma enorme gafe ao vivo, mas já passei por situações muito constrangedora, por exemplo, uma vez (agora ela fez cirurgia de correção de miopia) eu fui entrar ao vivo no congresso nacional e eu tinha que ler um painel eletrônico, porque tinha uma votação muito em cima da hora, aquela correria e aí vamos entrar ao vivo e me chamaram e eu tinha que ler o painel e eu não conseguia ler. Ai eu fiz um sinal para o cinegrafista pra ele ir pra lá, e ele virou para o painel eu peguei o óculos botei, li a votação, tirei o óculos e joguei do lado, só que eu estava lá em cima na galeria quando eu joguei o óculos ele caiu lá em baixo na cabeça de um deputado, ai eu olhei pra baixo assim que acabou e pedi desculpas, pelo menos o vivo saiu direitinho, bonitinho.

Qual o maior furo, a reportagem que te enterneceu, que você provavelmente não conseguiu conter as lágrimas?
Olha várias reportagens me provocam orgulho e emoção, ter feito todos os planos econômicos, ter acompanhado o amadurecimento do consumidor brasileiro me dá muito orgulho e todas as guerras foram muito emocionantes. Quando você vê um povo numa situação limite como numa guerra, de certa maneira você tem que barrar a emoção, fazer um escudo e chorar depois no travesseiro, se não você não consegue cumprir a missão que é reportar o que está acontecendo ali, então muitas vezes eu voltei das viagens pra situações de guerra chorando muito no avião, chorar o vôo inteiro, porque ai você deixa fluir, né? Já acabou, você já fez o que tinha que fazer, então já chorei muito no travesseiro, no avião de volta pra casa, porque vi pessoas passando fome ou porque vi crianças separadas de suas famílias, crianças sofrendo dores horríveis, povos inteiros submetidos a um estado confuso ou a um governo totalitário tudo isso é muito triste, né?

E a tietagem em volta de você te incomoda?
As pessoas não tietam muito não, porque elas sabem que eu sou discretinha, que eu preservo muito a minha vida pessoal e a tietagem que vem é muito boa, é assim, gente que reconhece o meu trabalho, gente que gosta do que eu faço, aí me param na rua pra dizer puxa vida como você é legal, como aquela matéria sua foi boa, ontem eu vi você fazer um comentário no jornal que foi muito interessante. Aí eu fico cheia de orgulho, fico com o coração todo cheio, mas não tem muita tietagem da vida pessoal ainda bem, porque eu acho que a minha função é fazer jornalismo, eu não quero ser um exemplo de vida pessoal pra ninguém, é uma briga diária lá, entendeu? Ter a minha vida pessoal, trabalhando do jeito que eu trabalho 14 horas por dia, eu queria ser uma mulher mais equilibrada que tivesse mais tempo pra casa, para a família, para o meu marido e eu não tenho e eu acho que as mulheres não têm que seguir esse exemplo, elas tem que ser mais equilibrada do que eu sou. Então, eu acho que no plano pessoal e emocional eu não sou exemplo, se eu quero ser exemplo, eu quero ser no plano profissional, então se as pessoas me admirem por isso eu acho super legal, se quiserem procurar se equilibrar mais que eu, eu também vou achar lindo, porque eu não sou lá muito equilibrada não, eu tenho muito pouco tempo, eu queria ter muito ter mais tempo pra mim.

Tempo é o patrimônio que você não tem?
Tempo é o que eu mais queria ter na vida eu acho.

Qual é a sua rotina Ana Paula?
Ah! Eu não acordo muito cedo, porque eu vou dormir muito tarde por causa do horário do jornal, então eu já acordo lendo 5 jornais, aí vou pra internet, ligo a tevê pra ver se eu não perdi alguma coisa. Tento almoçar com o meu marido 2 ou 3 vezes por semana, porque se não a gente não se vê, porque quando eu chego em casa de noite ele já está dormindo. Eu chego 2 da manhã, então é uma rotina de trabalho muito pesada, eu fico dentro da Globo por dia mais de 10 horas.

Pra ter intimidades com o marido precisa marcar horário se não, não dá certo?
Pra ter uma conversa íntima com o meu marido eu preciso pegar o fim de semana.

Precisa agenda olha domingo 3:15h.
Não, eu gostaria de ser mais equilibrada, isso é uma coisa que me dói muito, eu queria muito ter mais tempo para a minha vida pessoal, eu queria mais tempo pra dividir coisas. Pra fazer coisas bobas como cuidar da casa, costurar uma roupa, curti decoração, eu adoro decoração e eu queria mais tempo pra mim dedicar a isso, mas eu ainda vou consegui.

Você já fez alguma coisa nisso, antes de ser jornalista nessa área de decoração?
Não, eu só tenho um imenso prazer em lidar com essas coisas lúdicas como tecido, cores eu gosto muito disso, queria ter mais tempo.

Você que decorou sua casa?
Todas que eu tive.

Até que ponto os jornalistas pode invadir a privacidade das celebridades, porque hoje em dia o público não se contenta mais com detalhes das celebridades, o público quer as entranhas tamanha é sua curiosidade, não é?
Olha eu acho que o bom jornalismo deve mostrar, deve levar a público aquilo que interessa ao público, mas isso depende em parte do comportamento das celebridades, se as celebridades faz questão de expor sua intimidade, ela está abrindo um flanco para que o jornalista chegue até lá e mais abrindo um flanco à curiosidade do público que vai ter que ser satisfeita e aí você vai aumentando a gradação pra pode satisfazer mais e mais o público. Se for uma celebridade que não faz concessões com relação à vida pessoal, que preserve esse seu lado, né? Evidentemente a imprensa vai entrar muito menos, né? O público não vai procurar tanto, então eu acho que os dois lados têm que assumir uma nova relação. Mas quando a figura é pública, quando é um político de cujas ações depende a nossa vida, a vida de nossos filhos, você não acha que aí vale sim, ter que entrar na intimidade e saber até quantos orgasmos eles tem por dia, se ele é homossexual ou não é. Porque afinal de contas às decisões dele afetam diretamente as nossas vidas, você não acha que aí é válida uma investigação profunda? Nos Estados Unidos todo mundo quis saber quantos drinks toma o Presidente Bush. Eu acho que são coisas diferentes, eu discordo radicalmente de que a intimidade de uma pessoa deve vir a público contra a vontade dela, eu concordo sim que um homem público, principalmente um político que toma decisões que afetam a todos, deve ter uma reputação ilibada e deve provar isso com seu imposto de renda, com suas contas abertas, mas o tipo de relação que ele tem com a mulher, é só de respeito a ele e ninguém tem nada a ver com isso não.

Mas isso influência as suas decisões aqui (aponta para a cabeça).
Então, aprendam a votar.

Você muda o cabelo toda hora não é Ana Paula?
Imagina eu nunca pintei o cabelo na vida, eu morro de medo de pintar ou mudar qualquer coisa no cabelo, ele cresce eu corto, faço um monte de cortes diferentes, mas pinta eu nunca pintei tenho muito medo, quando os cabelos brancos começarem a aparecer quem sabe.

Fotos:





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