



Manequim: Você era bailarina.
Por que decidiu ser jornalista? Ana Paula: O balé impõe uma vida de atleta muito
difícil e eu fui vendo uma atividade mal-remunerada. Além disso, tinha ambições
intelectuais. Aos 17 anos, resolvi prestar vestibular para jornalismo e começei
a faculdade sem lagar o balé. Mas, logo no início do curso, consegui um estágio
numa rádio e começei a fazer reportagens para uma revista. Fui me encantando com
a profissão e o balé ficou para trás.
Manequim: E como chegou à TV?
Ana Paula: Nunca imaginei que trabalharia na TV. Eu sonhava com uma carreira em jornal impresso, como todos os estudantes de jornalismos na época. Mas o diretor da revista para qual eu fazia reportagens vivia me dizendo que o meu rosto era bom para TV. Lembro me de que falei que, se ele não quisesse me dar mais trabalho, não tinha problema, mas que não me mandasse para a TV! Porém, ele insistiu e marcou um teste para mim numa retransmisora da extinta TV Manchete. Eles gostaram e me chamaram: achei bom porque o salário era melhor. Mas encarei como algo temporário, só enquanto eu procurava emprego em jornal. Quatro meses depois, fui convidada pela Globo... Em pouco tempo estava adorando trabalhar em TV.
Manequim: Lillian Witte Fibe tinha fama de durona e você também passa uma imagem de séria na Tv. Isso é uma característica das âncoras?
Ana Paula: As pessoas tendem a confundir o tipo de notícia que você dá com quem você é. Quem me conhece sabe que sou bem-humorada, faço piada de tudo e no trato pessoal sou carinhosa com todos. Meus amigos me acham uma pessoa doce.
Em 1999 em Barrow, no Alaska (à direita).
Em 1996, numa reportagem na Índia, à frente do Taj Mahal (à esquerda).
Manequim: Você está sempre ligada com o que acontece pelo mundo?
Ana Paula: Isso faz parte da profissão de jornalista. Eu acordo leio jornais e ligo a CNN para ver se está acontecendo algo de importante. No dia 11 de setembro, no dia do ataque ao Word Trade Center nos Estados Unidos, logo que soube do atentado fui para emissora e 11 horas estava no ar. Não tinha como ver aquilo e ficar em casa esperando o meu horário. Sou jornalista de Hard News, notícias quentes.
Manequim: Você gosta de desafios?
Ana Paula: Sim, e ao contrário de muita gente, trabalho bem sobre pressão. Gosto de situações-limite. Além disso sou muito curiosa, considero um privilégio presenciar momentos históricos.
Manequim: Dos momentos históricos e situações-limite que presenciou, qual a que mais te marcou?
Ana Paula: Uma das cenas que não esquecerei foi durante o conflito em Kosovo, onde vi milhares de albaneses fugindo em direção a Macêdonia depois de terem casas queimadas, familiares mortos, passarem por um frio medônho, fome... Eles iam se escondendo até chegar à fronteira para tentar pegar um ônibus que os levasse ao acampamento de refugiados. Depois, já na Macêdonia, pude ver esse ônibus chegando e o rosto das pessoas na janela olhando aquele acampamento precário. A expressão era a de quem se pergunta: essa será a minha vida daqui em diante?


Dois momentos no Afeganistão: em 2001, depois da queda dos Talibãs (acima);
Em Kabul, no mesmo ano.
Ambos com o cinegrafista Hélio Alvarez
Aos 8 anos, uma apresentação de balé em Brasília, cidade onde nasceu. Ao lado (em 2002), com o marido, o empresário Walter Mundell.
Manequim: Você disse que gosta de cobrir guerras. Como é, para você, lidar com o medo?
Ana Paula: Medo pode até vir depois, mas na hora, ele some. Até porque ele pode prejudicar o trabalho, impedir-me de ouvir os dois lados. Certa vez, também em Kosovo, decidimos ultrapassar o limite de segurança para falar com os sérvios. Seguimos um combôio que, a princípio, foi pela estrada principal, mas depois pegou uns caminhos secundários e ficamos perdidos. Poderíamos ter sido vítimas de uma emboscada. Foi uma atitude desajuizada, que não repeteia. Hoje, eu falaria com os sérvios, sim, mas de uma forma mais segura.
Manequim: Nessas reportagens você não pode ter frescuras, come e dorme onde der... E na vida pessoal?
Ana Paula: É claro que gosto das coisas boas da vida. Mas a verdade é que me divirto em qualquer situação. Sou muito adaptável. Tendo um bom livro e o meu filtro solar à mão (a pele de Ana Paula produz muito pouca melanina - por isso ela não pode tomar sol), fico bem em qualquer lugar.
Manequim: Você é vaidosa?
Ana Paula: Tenho a vaidade normal de toda mulher . Gosto de me vestir bem e pode ser calça jeans e sandália baixinha. Eu me cuido, passo filtro solar até para ficar em casa e, de manhã, uso creme nos olhos. Não sou muito preocupada com o cabelo. Maquiagem só uso no trabalho. Se for a uma festa, passo um rímel, um pó e um brilho nos lábios. Jamais ficarias horas num cabeleleiro. Não fiz isso nem no meu casamento!
Manequim: Qual o seu estilo?
Ana Paula: Uso muita calça, porque acho prático para trabalhar. Gosto de camisa de manga também, ou uma camiseta e um blazer. Meu estilo vai do básico ao clássico. Gosto de ternos, sapatos e bolsas. E, vamos deixar claro, adoro fazer compras de roupas e para casa também. Odeio perder liqüidação por falta de tempo.
Manequim: Tem vontade de ser mãe?
Ana Paula: Durante muito tempo tive dúvidas, mas elas acabaram quando encontrei o parceiro da minha vida. Acho um desperdício ter a relação que tenho com o meu marido e não gerar um filho, que viria só para somar na minha relação, na minha vida profissional. Acho que a experiência de ser mãe amadurece a mulher.
Manequim: Sua maior qualidade?
Ana Paula: Talvez o que tenha me levado mais longe na vida seja a curiosidade de conhecer tudo a fundo. Não me satisfaço com a superficialidade. Isso me levou a fazer análise, a avaliar minhas relações. Não foi à toa que encontrei um parceiro que considero ideal - eu sabia o que queria e consegui enxergar quando o homem certo apareceu na minha frente. A curiosidade também me fez viajar muito e propor projetos no meu trabalho.
Manequim: Que análise faria da mulher brasileira?
Ana Paula: O brasil é moralmente mais aberto que a maioria dos países. Talvez por isso o que aconteça aqui um fenômeno que - diferentemente de outros países - independente da raça, cor, classe social ou cultural. É o fenômeno da mulher que se tornou chefe de família, que acumulou muitas funções e que toma todas as decisões da família. Nesse ponto o Brasil é o laboratório do mundo.

Ana Paula sendo maquiada pelo cabeleireiro e maquiador Jorge Vieira
Ana Paula Padrão
A jornalista comentou a importância do Dia Internacional da Mulher
Leia abaixo o chat Ana Paula Padrão na íntegra
Moderador fala para a platéia: Boa tarde! No Dia Internacional da Mulher, a jornalista e apresentadora do Jornal da Globo, Ana Paula Padrão, comenta as diferentes realidades femininas no mundo e a luta por igualdade. Envie sua pergunta!
Ana Paula Padrão fala para a platéia: Boa tarde a todos os internautas!
Moderador apresenta a mensagem enviada por Alinne: O que o Dia Internacional da Mulher significa para você?
Ana Paula Padrão responde para Alinne: O Dia Internacional da Mulher é importante, não exatamente para as brasileiras, porque temos um grau razoável de oportunidade que o país dá. É um marco na luta de mulheres onde as oportunidades não existem, seja por opressão política, por questões ligadas ao fundamentalismo religioso, são mulheres que precisam de um dia para que o mundo pare para vê-las.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Deia: Olá Ana Paula, sou sua fã e feliz dia das mulheres. Acha que nos tempos de hoje a mulher ainda sofre muita discriminação no mercado de trabalho ?
Ana Paula Padrão responde para Deia: Feliz Dia da Mulher. Isso está mudando muito. Os preconceitos caíram muito. A luta não é para entrar, é para conseguir um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Ela tem que se dedicar ao trabalho e à casa. A mulher que sustenta a própria família também não tem lazer. Temos que conquistar tempo.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Karina: As mulheres governam ou governaram poucos países, quase todos sem muito destaque no quadro internacional. Ainda falta interesse feminino pela política ou o eleitorado que é preconceituoso?
Ana Paula Padrão responde para Karina: Acho que têm dois aspectos. Quando a mulher concorre, tem que largar a família é difícil se colocar em cargos importantes enquanto têm filhos, por exemplo. Até os anos 50, ficávamos em casa com a família, tem pouco tempo histórico que saímos à rua para trabalhar. Já tivemos presidentes na Índia, na Irlanda.
Moderador apresenta a mensagem enviada por ignes: Nas séries que você faz, sempre mostra pessoas muito interessantes, com histórias bacanas. Como as encontra?
Ana Paula Padrão responde para ignes: É o grande segredo do jornalismo! Se souber contar direito uma história, tudo fica lindo. Tem que saber escolher. Num país distante, todas as histórias ficam interessantes.
Moderador apresenta a mensagem enviada por larissa: Como está a situação das mulheres no Afeganistão? Tem vontade de voltar à Cabul?
Ana Paula Padrão responde para larissa: Fui ano passado, no fim de maio, foi a terceira vez. A situação continuava a mesma, infelizmente, as famílias são muito conservadoras e impedem muito o crescimento e a felicidade da mulher. Ainda vai demorar para a estrutura mudar. Elas têm que lutar para mudar a situação. Fiz uma matéria sobre as noivas tristes, nunca vi mulheres tão infelizes. Continuo acompanhando de longe. A maioria continua saindo de burca às ruas, elas têm medo de serem mal faladas, mal vistas. São poucas as que têm coragem de enfrentar a sociedade, existe um movimento. Depois da chegada do Taleban, a repressão aumentou muito, elas têm medo da reação das pessoas.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Mariana Rotili: A mulher brasileira fica mais tempo na escola e é maioria nas Universidades, então que justifica a diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo tipo de trabalho?
Ana Paula Padrão responde para Mariana Rotili: Na hora de encontrar um trabalho a diferença é menor do que era antigamente. Muitas empresas ainda preferem contratar o homem porque sabem que a mulher pode engravidar, por exemplo. As empresas são resistentes a isso. É justo? Óbvio que não. Acontece, é nossa realidade e acho que quanto mais mulheres chegam a salários iguais ou melhores que os dos homens, mais mulheres elas arrastam atrás delas.
Moderador apresenta a mensagem enviada por janaina: Ano passado você fez uma série de reportagens sobre mulheres, tem algum plano de continuar explorando o tema? Que tal falar sobre as diferentes realidades das mulheres no Brasil?
Ana Paula Padrão responde para janaina: Acho a idéia maravilhosa, já tentei uma vez e pretendo fazer. Estou preparando uma série sobre o impacto dos últimos 40 anos na vida da mulher brasileira. Desde a chegada da pílula, tudo mudou na vida da brasileira. Estou fazendo uma série de entrevsitas.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Guaraci_17: Qual é a sua opinião a respeito dos países que exigem a utilização de burcas, e estreitam qualquer relação de mulher e governo? Isso poderia ser mudado ou é um fato que as mulheres não aceitam mudanças, por estarem sendo contra uma religião?
Ana Paula Padrão responde para Guaraci_17: Respeito, por princípio, qualquer religião. Acho injusto a religião ser usada como manutenção de poder. Se a mulher, por vontade própria, não quer tirar a burca, temos que respeitar. Não devemos achar que todas as realidades devem ser como a nossa, mas não podemos aceitar que o Estado misture sua função com a função religiosa.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Fabricio: É válido os protestos tipo o que a mulher tirou a roupa na frente do Principe Charles hoje?
Ana Paula Padrão responde para Fabricio: Não foi um protesto pelo Dia Internacional da Mulher, parece que atrapalhou um serviço de mamografia que estava sendo feito naquela hora. Foi curioso.
Moderador apresenta a mensagem enviada por netinho: Óla Ana primeiramente feliz dia das mulheres admiro muito seu trabalho. Gostaria de saber se você ja sofreu algum tipo de preonceito pela sua profissão? Responda-me!
Ana Paula Padrão responde para netinho: Comecei a trabalhar com jornalismo na década de 80. As redações estão cheias de mulheres, andava em ambientes com muitos homens e é muito da atitude individual, a pessoal estabelece o tipo de ligação.
Moderador apresenta a mensagem enviada por drico: Ana, gostaria do seu olhar critico sobre o mundo e as mulheres e o Brasil e as mulheres, sendo que estamos em um mundo machista e violento. E também um olhar crítico sobre sua carreira, pois é uma carreira de sucesso.
Ana Paula Padrão responde para drico: De fato estamos, as delegacias de mulheres estão cheias de histórias tristes. Quando mais educado o povo, mais ele respeita o seu diferente. Os homens são diferentes das mulheres e vice-versa. O povo precisa ser educado, precisa de escola.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Mineiro: No dia internacional da mulher se eu fosse um genio quais seriam seus três pedidos para atende-la como mulher,jornalista e brasileira ?
Ana Paula Padrão responde para Mineiro: Vivo pensando nisso! Todo dia eu mudo de idéia. No que se refere às mulheres, acho que são tantas realidades diferentes, é difícil fazer um desejo só. As mulheres são as maiores vítimas da AIDS, das guerras, do tráfico de pessoas, da pobreza e da falta de educação. São muitas tragédias. O grande pedido talvez fosse dar independência para decidir. Isso já é grande coisa. Todos os dias agradeço por ter feito as minhas decisões.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Rodrigo: o que você diz sobre "Injustiça contra a mulher diminuiu pouco, diz a ONU."
Ana Paula Padrão responde para Rodrigo: É a mais pura verdade. A mulher sofre mais numa região mais pobre porque é a responsável pela manutenção dos filhos. A mulher sempre é a maior vítima, ela precisa de mais proteção onde não consegue lutar sozinha. Assim como não conseguimos eliminar a fome, precisamos prestar atenção na condição das mulheres.
Moderador apresenta a mensagem enviada por HOMEMMODERNO: O q você acha da mulher moderna de hoje... que ajuda o marido a pagar as contas, muitas vezes paga a própria sozinha... você acha que as tendências que a sociedade impôs de que o homem tem que pagar a contas mudou?
Ana Paula Padrão responde para HOMEMMODERNO: Não só o homem teve que se acostumar com a mulher dividindo as despesas da casa, também estamos no ponto do homem assumir atividades antes femininas. Qual o problema do homem lavar a louça, limpar a casa, gostar de decoração? O mundo moderno não comporta essa diferença de papéis sociais. Já têm vários homens que fazem isso.
Moderador apresenta a mensagem enviada por oto: Em partes da Ásia atingidas pelo tsunami, muitas mulheres são vítimas de estupros e de outras formas de violência, enquanto os esforços de reconstrução são orientados pelas prioridades definidas pelos homens. Como você analisa esse fato?
Ana Paula Padrão responde para oto: Você tem toda razão. Estupro, tráfico de mulheres, isso tudo está acontecendo. Os bandidos se beneficiam da fragilidade feminina. É difícil agir num lugar onde há gente morrendo e passando fome. Se tem uma pessoa ferida, você vai atendê-la. É uma tragédia da natureza, o que me dói é saber que em lugares onde há guerra, na África, acontecem coisas como essa e ninguém fala disso, ninguém comenta.
Moderador apresenta a mensagem enviada por mel_19: Ana, por que não escreve um livro sobre suas memórias de Cabul?
Ana Paula Padrão responde para mel_19: Tenho tanta vontade de fazer isso, não tenho tempo! Tenho vontade de escrever sobre o Afeganistão, sobre as mulheres no mundo. Quero fazer, já conversei com editoras.
Moderador apresenta a mensagem enviada por rosh: Imagino que deva ter sido difícil enfrentar o preconceito quando você fez as reportagens no Afeganistão. Qual foi a maior demonstração disso? Houve outros lugares em que você também sofreu isso?
Ana Paula Padrão responde para rosh: Foi mais fácil do que imaginava, só o visto que demorei 1 ano e meio para conseguir. Mas foi fácil, por ser mulher, entrar na casa das mulheres, porque elas são vítimas. Entrei em lugares clandestinos por ser mulher.
Moderador apresenta a mensagem enviada por jornalista: Nos telejornais a presença das mulheres é muito grande, talvez até maior que a dos homens. E por trás das câmeras, nas redações, o mesmo ocorre?
Ana Paula Padrão responde para jornalista: É a mesma coisa! As redações estão cheias de mulheres, no jornalismo impresso também. Grandes colunistas são mulheres, como a Miriam Leitão. O jornalismo se transformou numa profissão feminina!
Moderador apresenta a mensagem enviada por mel_19: O que você achou das mulheres poliândricas das montanhas do Himalaia? Você presenciou brigas entre os vários maridos de alguma mulher?
Ana Paula Padrão responde para mel_19: Eles vivem em paz, não têm brigas. Me surpreendeu, elas adoram ter vários maridos. Eles levam coisas pra casa, defendem a casa. Numa situação como aquela, em que é difícil viver, elas estão confortáveis.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Binho_Bahia: Boa tarde Ana Paula! Parabéns pelo dia Internacional da Mulher, principalmente você, que representa de maneiro MARAVILHOSA a mulher atual (capaz, independente, desbravadora) e, parabéns também pela profissional que é!!!
Ana Paula Padrão responde para Binho_Bahia: Que lindo, muito obrigada! Fico feliz quando reconhecem meu trabalho.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Alexandre: Ana, que mulher você tem como referência símbolo de mulher?
Ana Paula Padrão responde para Alexandre: Tantas! Admiro quem busca o equilíbrio. É muito difícil. A mulher tem que trabalhar muito porque não tem condição social ou porque tem que provar que é tão boa quanto os homens. Se uma mulher consegue equilibrar suas funções de mãe, de mulher, de profissional, é um exemplo.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Ednelson: Ana você acredita que vai demorar muito pra um mulher ser eleita presidente da republica.
Ana Paula Padrão responde para Ednelson: Acho! Infelizmente. Existem mulheres em condições, sim. O eleitor vai ter muita dúvida. Em termos de história, já andamos muito.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Guaraci_17: Parabéns pelo seu trabalho e pelo dia! Ontem na abertura do Jornal da Globo você disse que o Dia Internacional da Mulher era o dia de todas as mulheres reivindicarem seus direitos. Você tem algo para reivindicar a favor das mulheres do Brasil?
Ana Paula Padrão responde para Guaraci_17: É um dia para lembrarmos das mulheres que não têm as oportunidades que nós temos. No Brasil, em especial, precisamos de justiça social. A principal barreira é a falta de justiça social, se tivéssemos melhor distribuição de renda, poderíamos optar melhor.
Moderador apresenta a mensagem enviada por Hugo: Você já pensou em fazer uma matéria mostrando a situação das mulheres africanas?
Ana Paula Padrão responde para Hugo: Estive na África, em 2001 ou 2002, para fazer uma série de matérias, foi ao ar no Jornal Nacional, uma parte no Fantástico. Uma parte era dedicada às mulheres, mostrava a questão da dificuldade das etnias, mostrava o radicalismo religioso em alguns países, mulheres que são mutiladas ainda adolescentes. Foi chocante, se escrever um livro, pretendo falar mais disso.
Moderador apresenta a mensagem enviada por rosh: De todas as reportagens sobre mulheres que fez, qual a deixou mais chocada?
Ana Paula Padrão responde para rosh: São tantas realidades difíceis, mas as guerras foram demais. A mulher geralmente não é soldado, vê os homens morrerem na guerra. Normalmente ela não tem o que dar de comer aos filhos, a comida acaba. É um ser totalmente impotente. Ver uma mulher no seu limite e vê-la perder sua família é uma dor terrível. Outra foi ver as mulheres que preferem se matar a passar as humilhações impostas pela família do marido, pela própria família. Acompanhei um casamento arranjando, nunca vou esquecer o rosto daquela noiva. Nunca vi uma mulher tão triste! Ela estava tão profundamente triste, nunca vou esquecer. Aprendi a ver como a nossa vida é uma dádiva, sou mais humilde do que era antes de conhecer tudo isso. Dou muito mais valor ao que eu tenho em termos de construção intelectual e valores morais e éticos do que antes disso.
Ana Paula Padrão fala para a platéia: Adoro conversar pela internet, gostaria de fazer mais, se não faço é porque o fechamento do jornal toma muito tempo. Quero dizer que sinto um imenso orgulho e sou profundamente agradecida a todos vocês que me assistem. Não nasci jornalista, devo tudo o que construí a quem acha interessante o que faço. Quero agradecer essas mulheres que dão o melhor delas para construir coisas melhores. Agradeço muito!
Ana Paula Padrão fala para a platéia: Muito obrigada!
Ana Paula Padrão entra na luta a favor do desarmamento
A jornalista Ana Paula Padrão, apresentadora e editora-executiva do Jornal da Globo, proferiu ontem na UNICAP a palestra "O Brasil que Queremos", dentro das atividades de lançamento do site Brasil sem Armas (www.brasilsemarmas.com.br). Durante o evento, promovido pelo Movimento Brasil Sem Armas com o apoio da Pró-Reitoria Comunitária, a jornalista contou um pouco da sua experiência em coberturas sobre violência fora do Brasil, relatando o massacre de crianças numa escola na cidade de Dunblane, na Escócia, que acabou resultando na proibição do uso de armas de fogo no Reino Unido.
Ana Paula pediu para que todos se conscientizem da importância de ser um cidadão ativo na luta pelo desarmamento no Brasil. "Eu estou aqui porque acho que o Recife tem uma das populações mais ativas, mais participantes, mais brilhantes do Brasil. Eu acho que isso é uma coisa muito interessante da cidade, do povo pernambucano e é um dos motivos pelos quais estou aqui hoje", declarou. Sua participação no encontro teve início com uma homenagem ao coordenador do Movimento Brasil Sem Armas, Murilo Cavalcanti. "Eu não conheço ninguém mais responsável, mais engajado e que tenha mais motivos para estar liderando um movimento como esse. Por isso, tenho certeza que vai dar certo", enfatizou a jornalista, que é amiga do coordenador do Movimento e da irmã dele, Mosana Cavalcanti, baleada durante assalto na avenida Boa Viagem em janeiro de 2003. O tiro a deixou paraplégica. A violência contra Mosana levou Murilo a criar o Movimento Brasil Sem Armas.
Ana Paula elogiou o engajamento da UNICAP na campanha pelo desarmamento e fez questão de parabenizar a Pró-Reitora Comunitária, Fátima Breckenfeld, e o coordenador Geral de Esportes, professor Fernando Lapa, pela iniciativa. A jornalista destacou a importância de se discutir o tema na universidade. "A universidade é o lugar onde devem ser discutidos os problemas que afligem a sociedade. É na universidade que a gente pode se posicionar e formar opinião", ressaltou.
Na sua opinião, a violência precisa ser discutida para se tentar diminuir as mortes por arma de fogo. "Há dias no Jornal da Globo em que todas as principais notícias estão de alguma maneira relacionadas à violência, ao uso de armas. Eu não quero abrir um jornal que fale de morte por violência, mas sou obrigada a fazer isso porque é notícia. Não dá para fugir dela", declarou Ana Paula. A jornalista fez questão de dizer que não é especialista em violência, embora ache que cada brasileiro, nos últimos tempos, acabou se transformando em especialista no assunto, devido às circunstâncias. Como cidadã, a jornalista se diz indignada. "Eu volto para casa tarde da noite todo dia e tenho muito medo de não chegar em casa. Eu moro numa cidade especialmente violenta e tenho muito medo de andar em São Paulo", confessou.
Para exemplificar a situação calamitosa vivenciada mundialmente e justificar a criação de movimentos como o Brasil sem Armas e o Viva Rio, Ana Paula relatou um fato ocorrido na cidade de Dunblane, na Escócia. Em 1996, um professor de Educação Física entrou armado em uma escola e matou 16 crianças entre 4 e 6 anos e uma professora. Dois anos depois, como correspondente da Globo, em Londres, a jornalista foi escalada para conversar com os pais das crianças assassinadas que lideraram um movimento para banir o comércio de armas no Reino Unido. A experiência, segundo ela, foi chocante. "Dunblane é uma cidade muito pequena, tipicamente escocesa. A reação do comércio ao nos ver chegar, eu e o cinegrafista, foi de fechar as portas. Dunblane é uma cidade traumatizada com a violência e com a exposição pública. O local era tão bonito quanto profundamente triste". Diante do ocorrido, os pais das crianças se reuniram e fundaram um memorial. "Os pais daquelas crianças têm alguma maneira de viver de forma normal? Provavelmente, não. Mas foram eles os responsáveis por uma campanha que uniu todo o Reino Unido e conseguiu banir o comércio de armas na região".
A conclusão a que chegou a jornalista é que para cada tragédia individual tem que haver uma reação coletiva. E pediu para que as pessoas presentes não deixassem de entrar no site para assinar o Pré-Referendo que será encaminhado ao presidente da República e ao Congresso Nacional para pressionar as autoridades contra o uso de armas no País. "Nós somos 500 pessoas aqui dentro (referindo-se ao auditório G2) e serão 500 assinaturas. Serão 500 pessoas se posicionando contra a violência e pelo desarmamento". A palestra da jornalista foi transmitida simultaneamente através de um telão para o auditório G1, onde estavam mais de 250 pessoas.
Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília, Ana Paula Padrão trabalha na TV Globo desde 1987, onde especializou-se na cobertura de assuntos econômicos. Atuou como repórter do Jornal Nacional e do Fantástico, além de ter sido comentarista do Bom Dia Brasil e do Jornal Hoje. Participou da cobertura de diversos planos de estabilização, em Brasília. No exterior, como correspondente da mesma emissora, trabalhou nos escritórios da emissora em Londres, na Inglaterra, e em Nova York, nos Estados Unidos. Esteve no Japão, onde realizou um Globo Repórter e acompanhou as conseqüências do acidente nuclear na usina de Tokaimura. Esteve ainda na Índia e em vários países da Europa. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 98, na França, cobriu a guerra em Kosovo e esteve no Afeganistão, para uma série de reportagens sobre o governo Taliban.
24/03/2003
O segredo da maquiagem de Ana Paula Padrão
Sabe aquele rosto clean da Ana Paula Padrão apresentando o Jornal da Globo? Pois é, a estrela do jornalismo da emissora revela que para ficar com aquele look faz uma boa limpeza na pele e aplica pó, rímel, lápis de olho, sombra e batom cor de boca.
Naturalmente bela...