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Ela é uma mulher moderna com jeito antigo. Conquistou sua independência aos 15 anos, o que fez com que se interessasse pela autonomia de outras mulheres, brasileiras ou... afegãs. Mas fez questão de formalizar seu casamento com o economista Walter Brasil Mestieri Mundell, por quem se confessa 'apaixonada'. Para ela, assinar Ana Paula Padrão Mundell não é um problema. Pelo contrário. Já que a mudança de nome assinala a mudança de vida, pode ser uma solução. Ana Paula é da geração que começou a colher os resultados da luta feminista. Acredita que as gerações seguintes aproveitarão melhor as conquistas e tentarão ir em busca da feminilidade perdida. A revolução feminista foi radical, 'como toda revolução', e hoje, acredita, empreende-se a revolução feminina, o resgate de valores deixados para trás. 'A mulher percebeu que não há sentido em ser como nos anos 80, quando usava cabelos curtos, abusava de ombreiras e assumia voz grave do poder - um homem de saias.' Nem há sentido em assumir o trabalho esquecendo que pode gerar vida. Sem contar que o próprio homem se abrandou.
A meta é o ponto de
equilíbrio. 'E o equilíbrio virá', diz. 'Sou otimista.' No campo pessoal, um dos
sintomas desse ponto de equilíbrio foi o casamento com Mundell. Já moravam
juntos, mas num lindo dia, como acontece nas histórias mais românticas,
resolveram formalizar o casamento. A cerimônia, no civil, em setembro de 2002,
incluiu vestido branco, véu e grinalda, fogos de artifício espocando no céu,
sinos tocando na hora H e água com açúcar para a noiva. 'Fiquei tão emocionada
que não me lembro de muita coisa. Parecia um sonho. Se fosse possível, gostaria
de casar de novo.' Se isso ocorresse, Mundell, 12 anos mais velho, com certeza
voltaria a ocupar o lugar do noivo. Para ele, sua ligação com a jornalista se
explica pelo mistério do amor e pelo 'número infindável de qualidades que ela
tem - a ética, a honestidade, a seriedade e a inteligência'. Ana Paula queria
filhos, mas sabe que, aos 39 anos, a natureza já não é uma aliada. 'É cruel',
reconhece. 'Se não tiver filhos, tenho de onde tirar felicidade. Meu casamento
não depende disso. Depois, há a adoção.' Para ela, a maternidade postergada para
depois da realização profissional, quando às vezes o corpo não está mais apto, é
uma das falácias da revolução feminista.
Sou
de uma geração que experimentou tudo.Mas nunca cedi à tentação da falta de
ética
Receita de casamento? 'Primeiro, ter
certeza de que é a pessoa que você ama. Depois, compartilhar o dia-a-dia, os
projetos, os sonhos. O homem está buscando parcerias para ser feliz. Eu sou uma
mulher feliz.' Ana Paula leva o casamento a sério. Acredita em valores como a
fidelidade. Ela acha que o tecido moral está desgastado. As pessoas estão
condescendentes e se apiedam, por exemplo, da moça que exibe o corpo.
'Coitadinha. Posou nua!' Justificam o ato de vender o corpo. 'Não sou
moralista', alerta. 'Sou de uma geração que experimentou tudo. Mas nunca cedi à
tentação da falta de ética.' Nada como ir à luta para resistir ao ganho fácil. É
uma profissional bem-sucedida, como repórter, correspondente internacional e, há
quatro anos, editora-executiva e apresentadora do 'Jornal da Globo', e vê com
preocupação os novos jornalistas. 'Muitos pensam no objetivo final. Poucos estão
preocupados com o caminho. Há uma glamourização da profissão. Não há glamour
algum. A gente trabalha muito.' A amiga Guta Nascimento, editora executiva do
'Jornal Hoje', diz que Ana Paula colheu o que plantou. 'Ela tem uma carreira
sólida. É uma supertrabalhadora. Desde cedo, corre atrás da notícia.'
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06/02/2005
Olha essa foto da Ana em 1998.
A Revista Imprensa está fazendo uma enquete para escolher as jornalistas que se destacaram em 2004. E a Ana esta concorrendo, ai galera entre no site e vote nela, a enquete vai até o dia 15/02. Por enquanto ela lidera.
16/02/2005
"Esse foi o mestre Jabor, num deslizezinho machista."
Ana Paula Padrão, apresentadora do Jornal da Globo